quarta-feira, 29 de junho de 2011
De dá dó
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Ironia

Manchete de Ontem - Lady Gaga é genial?
Não sou pesquisador, mestre, doutor e não chego perto aos pés de quem cuida muito bem da trilha sonora de minha vida. Apenas ouço e ouvir é o suficiente para saber, concorde ou não, o que é um bom gosto musical. Partindo da teoria em que gosto não discute, mas se lamenta, me resta lamentar certas atitudes musicais e certa incoerência que pessoas teimam em me empurrar e me forçam a ouvir. Sim, incoerência. Música hoje é igual roupa. As pessoas compram a marca, não a qualidade. Porque ouvir a psicodelia de Pink Floyd com Syd Barrett é legal, mas ter que aguentar experimentações de Hermeto Pascoal é uma tortura. Porque ouvir a voz sem potência e sem originalidade de Amy Winehouse é cool, mas ter que apreciar Aretha Franklin é coisa de velho. Porque cantar bêbado Bruno e Marrone no jukebox da Rua Augusta é coisa de deslocado, mas dividir versos de Renato Teixeira e acordes de Almir Sater é brega. Porque preciso aguentar argumentos de que o disco X&Y do Coldplay é genial. Vão me desculpar, mas o Revolver dos Beatles é genial. Porque ouvir Marisa Monte cantando Cartola é coisa fina, mas um samba na calçada é atitude de gente suja. Porque ouvir Muse declarando amor é a coisa mais linda do mundo, mas cantarolar Los Hermanos é nerd. Porque pagar trinta reais para ver um cover de David Bowie está em conta e um show de Elomar a quinze reais é um absurdo. Porque Lady Gaga vestindo carne é a ruptura do bom costume, mas uma camisa “I hate Deep Purple” é mimado. Porque Restart é coisa de menina e Bon Jovi é um clássico. Porque a gente entra no colegial ouvindo Led Zeppelin, mas sempre tem um professorzinho babaca de história que nos obriga a ouvir só Chico Buarque. E por que eu coloquei uma foto de Nina Strauss? Porque se eu tivesse colocado Egberto Gismonti você não se interessaria.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
A morte do futebol
O futebol no Brasil ficou chato. Pelo menos no eixo comercial se vê de tudo, menos futebol. Bandeiras são proibidas, provocações deixam de ser geniais e viram atos imorais contra um profissional, entrevistas são ensaiadas e os entrevistados são inúteis. Não se vê mais barracas de lanche nos estádios, bandas com marchas, papéis picados e uma farofa alimentando um esquadrão de louco por futebol.
Nisso, Kaká é visto como sujeito digno. Ora, um cara que prefere vestir Jesus com chuteiras a respeitar um adversário ateu ou mulçumano não merece meu respeito. Futebol não é santo e Deus não pega melhor no gol do que Barbosa. O Deus holandês, na última Copa, é melhor que o Deus brasileiro? Esse bom mocismo que invadiu o esporte bretão representa a divulgação de um falso moralismo que entra em nossa casa sem argumento, mas levanta o braço contra a brincadeira e a diversão.
Neymar era minha esperança. Era! Porque babacas de plantão em programas vespertinos trataram de cuidar da imagem para ela tornar-se uma pessoa boba, sem opinião, robô. Pura? E o torcedor que quer ver o adversário humilhado, zombar com o amigo numa deliciosa cervejada, levantar a bandeira e sair gritando por ai com o filho o golaço que acabara de ver. Zoar com futebol agora é bullying e xingar no estádio é contra o estatuto. Por favor, né?
O futebol brasileiro precisa de Edmundos, Romários, Garrinchas, Dadás, Sócrates e até novos Edilsons. Futebol de verdade é o nordestino! Casa cheia, barracas de cerveja, bandeiras enormes, filhos e filhas, maridos e esposas, bandas de frevo e uma devoção que está acima de qualquer lei moralista ou costumes de novela das oito. O futebol precisa de piada, sarcasmo e de amor. Futebol precisa de humoristas e não políticos. Futebol não precisa ser um poema imbecil de Pedro Bial. Brigas? Briga há na sua casa, na rua, no vizinho, na novela. Na casa do torcedor não seria diferente. Meu sonho não é mais ver um Flaflu. Meu desejo hoje é ver Náutico e Sport! E com muita gente diferenciada.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Tenho medo!
Manchete de ontem: Americanos comemoram nas ruas morte de Bin Laden
Eu tenho medo do mundo. Não tenho medo do andarilho que vem me vender uma bateia de carro por cinco reais para fumar pedra. Tenho medo é do mundo e de toda imbecilidade e hipocrisia que nele vem crescendo. É espantosa, para não dizer previsível, a comemoração pela morte de Bin Laden. O mundo comemora milhares de civis mortos em troca de uma pessoa. Anos de guerra política e discursos que beiram uma guerra santa em troca de uma pessoa. Mais de um bilhão de dólares em troca de uma só pessoa.
O mundo anda idiota! Passeatas de professores são vistas como badernas e responsáveis pelo caos no tráfego da Avenida Paulista. Crianças usando drogas nas ruas são trombadinhas e vira-latas são vítimas da sociedade. Uma torcida gritando o amor pelo time é de uma intelectualidade suja e um rapaz contando suas futilidades num vídeo é uma nova proposta artística. Tenho medo do patriotismo que ergue bandeiras, ódios e desconforto para as verdadeiras vítimas. Tenho medo das pessoas que desejam ver bilhões gastos numa missão em Marte, mas apenas rezam para a fome acabar na África. Não tenho medo do ladrão, tenho medo de quem me oferece um livro de autoajuda ou quem se comove com as humilhações sociais de Luciano Huck. Por quê? Porque se você acha lindo uma família que ganha R$ 800,00 por mês nadar em volta de uma ilha para ganhar uma casa, você é tão perigoso quanto qualquer governo, terrorista, líderes religiosos ou operadores de telemarketing.
Não sou purista e muito menos apoio o moralismo, mas não sou idiota. E idiota é todo aquele que em todas as mídias manifestou sua alegria pela morte de Bin Laden. Daqui a pouco vão dizer que Bin Laden fazia, uma palavra da moda, bullying contra a humanidade e que Obama é o símbolo da liberdade. Manobra política? Interesses econômicos? Tais motivos pela operação “Gerônimo” não me surpreendem, assim como será normal minha reação caso surge em alguma fonte de que Bin Laden não morreu de fato. Os inimigos são outros e a vítima é o mesmo cara que me vendeu uma bateria de carro para consumo de crack. Tenho medo e hoje tem futebol! Porque não é burrice eu querer me divertir.