Fernando Collor se tornou político a exemplo de seu pai, Arnon Afonso de Mello, famoso por dar três tiros em outro parlamentar em pleno Senado Federal. Roseane Sarney também, decidiu prolongar a dinastia feudal maranhense a exemplo do sempre presente em nossa política José Sarney. Goiás por muito tempo teve seu governo dividido entre Ludovicos e Caiados, tanto uns quanto outros de índole questionável.
E homens como Itamar Franco?
Eu tinha uma pequena birra contra Itamar: ressucitar o fusca. Ele disse ser um "símbolo do Brasil". Também achei a moratória de 1999 um protesto pitoresco, e diante de algumas de suas declarações pensei que estivesse caducando. Caduco ou não, Itamar sempre foi um político de zelou pelo Brasil. Se tornou presidente para um "mandato-tampão" de dois anos, no qual poderia ter deixado o barco andar, na mesma toada, quase naufragando. Ninguém o culparia por isso, ou acharia uma irresponsabilidade -especialmente após o exemplo de Sarney, que em 4 anos de vice que se tornou presidente por acaso, tudo que fez foi piorar.
Entretanto, Itamar foi o filho que não fogiu à luta, e graças à ele o Brasil iniciou o processo de conversão do sonho intenso em forte e impávido colosso. O nosso futuro hoje, sim, espelha a grandeza profetizada em nosso hino nacional, graças à sua coragem e determinação, ao comprar a idéia de (mais um) plano econômico, e iniciar uma série de mudanças que nos trouxeram até aqui, e nunca deu um passo sequer em direção ao autoritarismo que tentou tantos presidentes de nossa democracia recentemente reestabelecida.
A pergunta persiste: quem são os herdeiros políticos de homens como Itamar Franco, Ulysses Guimarães e outros? A impressão que muitas vezes fica é que ficamos um pouco órfãos a cada homem público correto que falece.
Não é a morte que me preocupa, afinal ela é a consequência lógica. O que me aflige é notar que a escola próspera é sempre a dos maus políticos, enquanto os decentes raramente deixam herdeiros.