Eu estou sabendo que hoje não é meu dia de postar algo por aqui. Mas vai lá, tem um tempo já que o manchete de ontem não segue a risco postagens de um ou outro colaborador. Pois achei que devia comentar sobre o caso do bebê que foi resgatado em um cano de descarga. E não, eu não quero falar se acho certo ou errado a política de controle de natalidade exercida na China o que causa muito abondono de recém nascidos. Eu estudo Geografia, mas não quero falar sobre isso. Prefiro dizer o quanto uma cena dessas emociona todos nós. Ao ver o bebê ali tão solitário e sobrevivendo. Um bebê só se comunica com seu choro e esse choro, às vezes, pode salvá-lo.
Algumas coisas realmente merecem destaque. Digo, algumas coisas além de: pra qual time o Neymar vai nos próximos dias ou presidente Dilma insatisfeita com avião por conta de turbulência; etc. Claro, isso tudo tem uma importância infinita nas nossas vidas (só que não). Foco.
Então, existem diversas marchas pelo Brasil. E se tem uma que eu admiro muito é esta: a das Vadias. Sabe como é, num país que tem a sexta economia do mundo (é isso mesmo, produção?) as pessoas, ainda, vivem exibindo seus preconceitos contra tudo e todos e, neste caso, tratando as mulheres de forma violenta (violência não é só deixar a mulher com olho roxo, fica a dica). Não vou nem mencionar a deficiência na educação. Foco. Sendo assim, acho importante o protesto. E mais que isso: acho necessário.
Quem vai às ruas exigir respeito, melhores condições de vida, de educação, igualdade social... sempre vai merecer o MEU respeito.
o mundo de tão grande
ficou pequeno
de tão pequeno
avançou sistematicamente
de tanto avanço
curou doenças
comunicou as novidades
permitiu os fluxos
fixos se movimentaram
o homem no meio disso tudo
ainda atrasado...
Já tem alguns dias que li essa manchete e a guardei debaixo de meu travesseiro. Falam que o principal motivo dos brasileiros não estudarem em Harvard ou MIT é a falta de informação sobre a possibilidade de estudarem lá, mas será mesmo?
O problema educacional do Brasil é percebido de longe, há muito tempo e em todas as partes do ensino, ou seja, vai desde o ensino básico até o, assim chamado, ensino superior.
Recentemente decidiram tirar Portugal da lista de opções para intercâmbios através do Ciência sem Fronteiras. A justificativa para tal foi que os brasileiros precisam perder o medo e aprender outro idioma. Talvez os brasileiros aprenderiam outro idioma caso no ensino básico público existisse investimento e incentivo para que se aprenda outro idioma. Contudo, o que vemos são escolas oferecendo uma língua estrangeira onde a maioria dos alunos não conseguem aprender nem 15% de tudo que é "ensinado". Talvez seja por isso que Portugal seja o país mais concorrido numa lista de intercâmbio, talvez...
Será mesmo, então, que a falta de informação é a principal razão que faz com que os brasileiros não estudem em Harvard ou no MIT?
Não quero começar esse texto dizendo que sou do partido x ou y. Não levanto nenhuma bandeira. Sou crítica quando preciso e, também, sei reconhecer as melhorias que uma política faz. Para isso, não é tudo que deve ser vangloriado ou jogado no lixo em qualquer situação que seja. Logo, acho justo dizer o quanto a política social do governo Chávez foi extremamente importante. Porque eu vejo pessoas adotando discursos midiáticos e colocando este homem como um grande ditador e só, ou vejo as pessoas reclamando do jeito que ele governava e isso ou aquilo. Sabe, eu vejo esse discurso partindo de pessoas com uma situação econômica boa e, assim, desvalorizando as ações sociais realizadas. Quem nunca passou fome ou sempre teve casa para morar, dinheiro para pagar planos de saúde não pode ficar dizendo para as pessoas que não tem condições básicas como é que elas deveriam pensar e, ainda, ficar apontando falhas num governo que priorizou isso. A questão não é o quanto esse homem era ditador ou não, a questão é o quanto ele mudou a vida diretamente de várias pessoas. Ele mudou a vida do povo. O problema é que o rico nunca se vê como o povo. Ele se acha demais para fazer parte da população. De certo, ele acha um absurdo o povo (tão distante dele) começar a ter condição melhor na vida. O que me impressiona não é a oposição de um governo x ou y manipular informações e enganar grande parte da população, o que me impressiona é pessoas que se dizem graduadas, entendidas, críticas adotarem discursos sem saber os fatos reais, sem conhecer realmente a realidade.
OBS: política de cunho social é bem diferente de política de cunho assistencialista.
Que o mundo inteiro é conivente, de certo modo, a situação de bloqueio econômico vivida em Cuba todos nós já sabemos. Afinal, tudo que é diferente é colocado a margem. O mendigo na rua, o colega de sala que tem um peso a mais e é sempre o último escolhido para entrar no time, o que tem pouca formação e mora na favela, o cigano que é tratado como ladrão. Quer dizer, tudo que não se encontra no pacote definido de forma verticalizada por alguém é deixado de lado. Nós começamos a crescer e, então, achar normal uma exclusão aqui e outra ali. Se eu excluo meu vizinho da confraternização do bairro só porque ele tem menos condição, o que tem um país que eu nem vivo não está no pacote de países em que o meu se encontra, né verdade?
Mas após o nosso incrível crescimento, perguntas críticas também deveriam entrar nos nossos debates, isto é, como pode um país tão "atrasado" econômico e tecnologicamente como cuba, ganhar disparado de nós na educação e na saúde? Deixemos a saúde para os médicos de plantão. Falemos da educação. Eu sei, isso aqui anda ficando chato, todos os meus textos são sobre a educação e blá blá blá. É que eu escrevo na esperança de registrar isso e poder daqui uns vinte anos ver que isso aqui era horrível, mas que no futuro...
Bom, a única explicação que existe para cuba ganhar de nós na educação é uma: eles acreditam na educação. Claro, se não acreditassem não teriam pós revolução (há quantos anos mesmo, hein Fidel?) terem feito um intensivo processo de alfabetização. E nós no mundo pós moderno definindo os vários tipo de alfabetização que assolam o nosso país. Qualé? Quem é o país desenvolvido nessa história?
Se eles acreditam na educação, permitem a valorização desta. Os estudantes do ensino básico são motivados a virarem estudantes no ensino superior nos cursos de licenciatura e aí está: acreditar, valorizar, motivar.... os tornam excelentes professores que, por suposto, sendo excelentes professores ajudam mais estudantes do ensino básico. Sabe aquilo de que o mundo é redondo? Então, é a cadeia alimentar. Ciclo vicioso.
Mas estamos preocupados demais em estudar as tecnologias, e não que elas não sejam importantes. Claro que são. Olha a gente aqui tendo esta conversa... O que nos falta é só (eu disse só?) investir na educação. O que não é muito difícil, ou é?
Essa história de vida profissional persegue o indivíduo desde a escola. Ele cresce ouvindo que precisa estudar muito para entrar na Universidade e que quando entrar na Universidade ele precisa estudar muito para ser o melhor e que sendo o melhor ele terá emprego garantido num futuro aí.
Trabalhando diariamente para esse futuro aí o indivíduo pós aprovação no vestibular, vive a vida de universitário com intensas articulações e construções que o faça durante o curso a criar um bom currículo para que depois ele consiga o tal excelente emprego. O currículo precisa ser cheio de revoluções acadêmicas, sobretudo, quando esse indivíduo quer fazer uma pós graduação e assim por diante.
Tecnicamente isso não seria ruim se o indivíduo soubesse exatamente o que tem feito, isto é, quais são os artigos que tem prontos para serem publicados ou o quão apaixonado ele é pelo estágio/área em que trabalha. O que acontece é que os alunos, de uma maneira geral, ficam tão obcecados com isso de ter o melhor currículo que começam a mudar SOMENTE os títulos de artigos para terem diversas publicações em diferentes lugares, começam a aceitar virar escravos de qualquer professor para conseguir em QI (quem indica) lá na frente, consideram os demais colegas inimigos de estado que poderam acionar uma bomba a qualquer momento para roubar suas ideias e seus projetos, assumem ideais de professores e brigas, esquecem de valorizar as aulas e cada vez mais ficam especialista durante a própria graduação. Devo, ainda, mencionar o fato que rechear o currículo lattes é o capitalismo intelectual? Claro, porque esse indivíduo que quer publicar, que quer frequentar evento científico precisa pagar por tal. O que mais uma vez confirma o quanto a democratização do ensino é pequena, visto que não existe uma maioria de alunos que possuem condições de arcar com tais gastos. Enfim: quando será que a mudança no sistema educacional começará a ser feita?
O tempo passa, mas algumas questões parecem sempre estar em pauta. Educação, saúde, transporte, drogas... enfim! Às vezes eu penso que algumas coisas não se resolvem porque, simplesmente, não querem que elas sejam resolvidas. Por que não pensar em uma palavra tão simples e que pode ser eficaz? Planejamento, companheiros. O seu José lá do campo sabe exatamente quando é que ele deve acordar para tirar o leite de suas vacas e todo o trabalho que ele deve fazer durante o dia, durante a semana, durante o mês para, assim, conseguir permanecer vivo e sustentar, quem sabe, a sua família. Quer dizer, será que as pessoas até hoje não sabem quando é que se começam as aulas, o ano letivo nas escolas de todo o país? Se até as crianças de sete, seis anos sabem quando é que voltam das férias para se preparem para a escola, por que é que quem comanda obras nas escolas não tomam conhecimento disso?
É como a greve dos professores que pode existir. Porque tanto faz quem é que está lá nas Universidades e nas Escolas. Agora fechar qualquer estrada do país que tem circulação intensa por motivo de greve ou protesto, isso não pode. Isso não pode porque atrapalha na economia, isso não pode porque alguém está ficando sem enriquecer. E as crianças que não sabem onde vão estudar? Ou que serão transferidas para outros locais, o que pode gerar mais desconforto, mais gastos, mais problemas? Isso pode?
Talvez (eu disse TALVEZ?) seja por isso que estamos tão próximos dos países mais ricos economicamente e tão distantes dos mais ricos no sistema educacional!
A vida e suas mil revoluções quase fez com que uma escola - lugar do saber e outras coisas mais - fosse demolida. É, a copa do mundo não faz só com que pessoas fiquem desalojadas, sistemas de transportes mudem, capital circule e blá blá blá. Faz, também, com que escolas sumam do mapa. Bonito isso, Brasil? Sabe, às vezes eu fico pensando que é comum pensar em ações rápidas, mas que a longo prazo acabam sumindo, sendo esquecidas e, às vezes, pouco aproveitadas. Alguns estudiosos falam do que já vem imbricado dentro de cada um. Quem sabe é do Brasil fazer apostas contrárias ao, assim chamado, verdadeiro desenvolvimento?
Em contra partida, ficamos contentes ao ver que, ainda, existem pessoas lutando. E quando eu digo pessoas, eu digo qualquer pessoa. Ela não precisa ser estudante de ensino básico, de ensino superior, ela não precisa ser graduada, ou viver com as mãos no cabo da enxada, ela não precisa ser filiada aos partidos políticos, ser deputado, prefeito, outros mais. Ela só precisa ter dentro dela a vontade de dizer: "é assim, mas pode mudar". Porque a única constância é a mudança. E é difícil aceitar mudanças pro pior, ou não? Dessas pessoas que vivem lutando não contra quem está no poder diretamente, mas, sim, contra as ações irracionais dessas pessoas que estão no poder, saiu a vitória - para 2013. A escola do Maracanã, que tem o quarto melhor IDEB (Índice de desenvolvimento de Educação Básica) da cidade do Rio de Janeiro, não vai ser demolida em 2013 para, o tal lindo projeto, que transformará o complexo esportivo do Maracanã em uma grande área de entretenimento.
Eles querem acabar com uma escola por conta de copa do mundo, olimpíadas. A defesa sempre se faz afirmando que haverá a transferência da escola para outro local. Claro, e isso é um grande favor a ser feito. Acorda, Brasil. Copa do mundo, Olimpíadas. Isso tudo passa. Crianças com boa formação se manifestam em adultos com boa formação, em potencial de desenvolvimento futuro. Mas se tratando de um país que faz política de Governo e que só está preocupado com os seus quatro anos de poder, é notório que tanto faz derrubar uma escola aqui, outra acolá.
Um salve a galera que se juntou pra apoiar a permanência da escola.
"Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo. De fato, sempre foi assim que o mundo mudou". Margaret Mead.
E que fique claro que não falo sobre o país ser ou não uma grande potência, eu falo sobre não ser corrompido pelo poder, que sempre parece ser a maior preciosidade do mundo.
Expansão, retração, modernismo, atitudes de um passado que perdura no presente e que tem reflexos direto no futuro. Não sei exatamente se isso pode ser denominado somente ao Brasileiro que não reconhece as várias guerras existentes em seu território em todo o seu processo histórico-social e que, ainda, perdura. Talvez seja a criação e eliminação de fronteiras. Já que esta tem caracterizado o modo de transição do mundo. Fronteiras geográficas que vão desde ao econômico, quanto ao social e que, também, passa pelo saber.
Mas é de bom tom (como o próprio professor fala no vídeo acima) que não se reconheça as várias guerras que estamos inseridos dia a dia. Com um número pesado de mortos, ou não. E agora vendo tanta gente morrer que as perguntas começam a ser levantadas. Como se o trânsito não matasse muitos por ano, como se polícia nunca tivesse matado "por engano", como se gangues nunca tivessem guerreado entre elas, como se o governo nunca tivesse compactuado com situação de morte, como se os índios nunca tivessem morrido, etc.
E é exatamente isso. Esses dias para trás mesmo estava eu na Universidade com alguns amigos quando o assunto mudou para a forma que os japoneses matam as baleias. Uma colega disse que talvez seria este o motivo de todos olharem de forma diferente para tal ato, já que a forma é bastante cruel. E eu comecei a me perguntar, então, se o que o resto do mundo faz com os frangos, as vacas e demais animais não é crueldade. Manter em um quadrado os frangos apertados e fazê-los comer isso ou aquilo, esses venenos, enfim. Isso não é crueldade? É fácil pensar que a maldade está no outro, que a violência não é nossa. Eu sei, é fácil.
É como se o Brasil, e as pessoas, fossem pacíficas todo o tempo e que nunca nada acontece. E quando algo acontece tratam apenas como agitações, agitações do outro. Ou é algum grupo querendo aparecer, ou é alguém que está por trás mandando tal grupo aparecer ou é algo do tipo. Sério? Importa mesmo? Depois que já está corrompido eu só consigo pensar como pode ser resolvido e se tem solução. Porque prevenções são feitas bem antes do primeiro tiro ser dado. Num país que se desenvolveu a base de revoltas (como gostam de chamar) parece ser natural o que acontece por agora. E eu digo mais uma vez: isso não é natural, é só algo naturalizado pelo homem. Porque não pode ser natural pessoas que estão caminhando pelas ruas tomarem tiros sem saberem o motivo; e digo mais: não deveria existir tiro algum. Porque nada justifica um tiro que atenta contra a vida de alguém.
E quando se vai mais longe, é possível perceber que é isso que o homem tem feito durante toda a sua existência na Terra. Sempre um grupo contra outro, atentando, então, a segurança do último. As pessoas falam que não suportam as novelas com mocinhos e vilões, como se isso não existisse (eu não assisto novela, mas não dá para negar a existência da violência, do ódio do outro). E quando você vai se dar conta desde os tempos do Menino Jesus já existiam grupos que se odiavam. Não foi por isso, e bem antes mesmo, que as migrações começaram a acontecer? Ora por necessidade (busca pelo alimento), ora pela fuga? As guerras existentes na África não é por conta de um estrangeiro que "criou" o país e que teve outro estrangeiro dividindo o mesmo? Eles fazem a "bagunça", voltam para as suas casas e deixam os povos lá vangloriando o ódio, vivendo disso. É quando eu começo a me perguntar em uma escala mais geral se talvez, então, esta não seja a quase identidade que o homem tem dele mesmo: a violência. Já que se chega ao ponto de um indivíduo pagar para entrar em um espetáculo tal qual a atração são dois homem lutando um contra o outro. Ou até mesmo quando no seu moderno aparelho de celular o homem é capaz de filmar uma agressão no trânsito, ou o aluno que é capaz de disponibilizar na internet dois colegas brigando, e assim vai. Vai? Vamos? Pra onde? Talvez para a nossa própria cama a base de muito remédio (calmante), quando teríamos que sair e gritar. Porque é isto que os anti depressivos fazem: calam o silêncio daquele que precisa ser escutado. Porque é isto que a guerra civil faz: silencia os tiros e trata-os como se fosse só agitações passageiras e que por isso não merecem quase nenhuma atenção.
Sério, acho que nos últimos tempos eu só tenho aparecido aqui para falar sobre algo que é triste aos meus olhos. Tem essa tristeza aí dos índios perderem suas terras. Mas já escreveram tão bem sobre isso aqui (cês deviam voltar pra ler tal texto) que resolvi falar de uma bobagem, só pra perder um pouco a seriedade. A vida já tem pessoas com perversidade demais.
Só eu que não aguentei essa palhaçada das notícias falando sobre o possível namoro de Neymar com uma atriz global? Vou até me poupar de falar o nome da mesma. Já basta o do Neymar que vive aparecendo na mídia. Só que agora o problema já está resolvido. Neymar levou três para o hotel, então a globo, quer dizer.... a atriz, está com zero no seu placar.
Eu posso aceitar existir tais bobagens na mídia, o que eu não posso é considerar isso normal. Então, vamos lá pessoal. Vampiroe e lobisomens (outro assunto que já falei), quantas e quem são as namoradas peguetes do Neymar não pode ser sua fonte de informação ao ponto de você achar que a vida está uma maravilha e bola pra frente.
E como disse meu professor: entrei em um regime... essa semana pesei e emagreci três quilos e oitenta reais. Enquanto o Ronaldo está ganhando pra perder peso. Enfim, não é esse mundo que eu quero viver.
Esses dados provavelmente não te assustam mais, porque você, assim como eu, acha natural mendigos nas ruas, crianças pessoas passando fome, assaltos, grades, cercas elétricas, seguranças e etc. Você pode até me dizer que se comove com a fome, com a questão social do mundo, que isso e que aquilo. O que você pode não saber é que não é natural uma pessoa passar fome, existir mendigos e tudo isso que já foi citado e outras coisas a mais. Isso não é natural, isso é naturalizado pelo ser humano. E o que você quer dizer com isso, Anna Cristina? Eu quero dizer que nós já nos acostumamos a ver a perversidade espalhada por aí, as mortes, a desigualdade ao ponto de achar isso tudo normal. Porém, como isso foi criado por nós mesmos, isso não é natural e sim naturalizado. Pega essa de como o ser humano é um filho da mãe com ele mesmo.
Enfim, eu sei que esse assunto de passar fome, de desigualdade social é um saco. Porque fala-se muito e nada se resolve. Eu sei, eu sei. Tenho culpa nisso, você tem, todos temos. E é assim que é. Enquanto eu escrevo isso aqui e você lê tem gente lá não sei onde, ou aqui do lado passando necessidades...
Uma vez eu contei uma história de que quem deve resolver tais questões é o governo, que é representado por gente igual a gente (ou não né, porque a gente acha que nunca vai ser capaz de ferrar com tudo igual os partidos políticos que vivem no poder). Pois bem, eu não sei mais quem deve resolver isso, se a solução, o que podemos fazer. Essa conversa de que cada um fazer a sua parte não adianta, porque os grandes que podem fazer a mudança não se movem. Então, sei lá. Só desejo muita força para todos e que algum dia possamos acordar sem pensar que tem gente morrendo de fome.
Saber que num mundo que se diz moderno pessoas morrem de fome, ou por falta de recurso médico e essas coisas não entra na minha cabeça. Saber que num mundo que se diz moderno pessoas morrem de fome, enquanto outros jogam comida fora todos os dias, não entra em qualquer parte do meu corpo.
Andam dizendo por aí que o mundo vai acabar, que o sertão vai virar mar, e que o rio são francisco vai sofrer a sua extinção inexorável. Se é verdade? Vai saber. Ultimamente estou tentando não pensar muito no que vai acontecer numa escala que não é próxima a mim. Lembrando que isso não quer dizer que eu não sofrerei com a falta de água no rio são francisco, caso ele se perca.
O que mais chama a minha atenção neste texto não é o fato da possível extinção do rio. Para mim as coisas são muito claras. Quando o texto diz que as pesquisas mostram o quanto o homem vem ferrando com tudo, em relação a uma verdadeira preservação do rio e de seu entorno, eu só tenho a concordar. O homem não ferra só com o rio são francisco, o homem ferra com a sua própria vida. O que o torna, neste ponto de análise, um ser medíocre.
A incrível capacidade de olhar para o próprio umbigo pode custar caro. Sempre achei que é arrogância demais de um povo achar que pode fazer com outro povo alguma coisa. Agora ver um povo achar que pode, em detrimento de um bem estar social insignificante, transpor rio, poluir e essas coisas é de quase se perder as esperanças com tudo.
Meu fatalismo é grande. Já não acredito no ser humano e suas ações e blá. Entretanto, elenco algumas partes que chamaram a minha atenção no texto e que permitem uma outra discussão: "o processo que levará ao fim do rio são francisco não começou hoje. Basta olhar a ilustração para ver o que acontecem em tão pouco tempo, menos de 200 anos. A imagem nos mostra um bioma surpreendente: o tamanho das árvores, a diversidade de animais, a exuberância - ressalta Siqueira. - Observamos que ocorre um efeito em cascata. Tanto que, se algo não for feito agora, de forma veemente, o impacto do aquecimento global na Caatinga, que é o local mais ameaçado pelas mudanças climáticas, será dramático".
Amigo, sinto muito. Não é possível que você acredite em aquecimento global. Eu posso acreditar que tudo isso que você está contando é verdade. Inclusive me coloco como colaboradora da extinção do rio são francisco (se isso for mesmo acontecer). Por que colaboradora? Porque eu não levanto a minha bunda da cadeira para entender sobre o mesmo e exigir do governo, de quem seja, algo que não provoque, então, tal extinção. Agora vir aqui me contar que o impacto do aquecimento global será dramático, não faz a sua pesquisa ganhar méritos. Porque tem mil anos (só que menos) que eu escuto que tudo que acontece é culpa do aquecimento global. Se uma pesquisa desse porte é feita, o mínimo que eu espero é que os argumentos, para me convencer da extinção, não sejam a culpa do aquecimento global. Por isso, num futuro não muito distante eu vou tentar comprar esse livro, para depois eu realmente tomar conhecimento do quanto você usou, ou não, palavras como aquecimento global na sua pesquisa.
É o que eu disse, eu posso acreditar na extinção, se eu parar para pensar que o homem é uma merda e que fez e continuará fazendo besteiras que ferrem com o rio ou que as mudanças climáticas (totalmente normais) possibilitem a extinção desse, mesmo porque estamos em constante movimentação, isto é, não é desde sempre que o rio existe e não é para sempre que ele existirá.
Outra questão, ao longo do texto é possível entender que a principal contribuição do livro, gerado através da pesquisa é chamar a atenção para a caatinga. Veja: "a principal contribuição do livro é chamar a atenção para a caatinga. É o único bioma exclusivo do Brasil, porém o menos conhecido. Seu personagem mais famoso é o rio são francisco [...]"
Veja também que colocar como título a possível extinção do rio são francisco possibilita uma publicidade maior. Porque ninguém quer ler sobre a caatinga em si, agora pensar na extinção do rio são francisco já pode ser uma leitura, se não quão, mais agradável ou, quem sabe, mais útil. Enfim.
Isso tudo só me faz ver que o homem além de ferrar com o que é natural, ele se apropria do mesmo para naturalizá-lo. Porque no final das contas, achamos normal encarar tal sensacionalismo. E, ainda, conviver com o fracasso da nossa espécie, que, vez ou outra, propicia a extinção de tudo.
Proponho um brinde com copo d'água, se possível, do rio são francisco.
Nos meus vinte e poucos anos de vida eu nunca vi ninguém dizer que não gosta de música. Claro que cada pessoa tem sua preferência: do axé ao metal, do metal ao samba, do samba as músicas regionais, das músicas regionais ao sertanejo de raiz, do sertanejo de raiz ao universitário, e por aí vamos. As pessoas defendem seus gostos musicais como se estes fossem uma ideologia da qual o gosto delas é o que salva, ao ponto de repudiarem outros gêneros (eu mesma não gosto de uma porção de estilo, tenho que admitir: enfim). Gostos a parte, é possível fazer música, qual que seja, para o ensinar. Se nós somos capazes de decorar essas músicas de politicagem que ficam rodando pelos bairros, cidades... somos, também, capazes de decorar outras músicas
Não é de hoje que tenho visto professores apostarem em rimas para que os alunos possam aprender com mais facilidade. Mas cuidado, aprender é diferente de decorar. Não basta o exercício de decoreba, é preciso que o aluno faça a construção do conhecimento (falei igual na minha apresentação de artigo, haha). Palavras chaves nas músicas podem ser o pontapé para que o aluno consiga desenvolver todo o raciocínio necessário para entender sobre tal assunto. Eu sei que estamos falando de uma geração de alunos que quer tudo muito rápido e que não quer ter que pensar muito, mas, também, estamos falando da geração de alunos que já está cansada dessas aulas de copiar o que tem no quadro ou fazer exercícios dos livros. Então, vale a pena pegar algo tão legal - MÚSICA - e atrelá-la a algo que é fundamental: ESTUDAR.
A pergunta é: o que na vida desses "astros" não é puro marketing?
Tudo que eles fazem vira produto, vai para uma vitrine, está condicionado ao capital. Então meio que tanto faz o produto em si, o que é importante mesmo é o produto ser desses grandes famosos, que já passaram uma vida inteira trabalhando, suando por demais para conquistarem tudo que possuem e que agora precisam de um bom descanso e de contar como tudo isso aconteceu. E como a vida deles é uma obra incomparável e que merece um grande destaque e ser seguida por toda essa nova geração, nada mais justo que tenhamos em mãos esses biografias e afins.
Sério? Não dá, gente.
Vai comprar um livro do Guimarães Rosa (ou umas boas histórias em quadrinho), que você há de ser mais feliz.