Manchete de Ontem: Em carta, Dilma atribui a fhc fim da hiperinflação.
Eu não gosto de política, é fato. Já tive meu período de interesse, que foi apartidário, mas passou e desde então eu não voto, nem justifico. Regularizei meu título este ano apenas para pegar meu diploma, e não sei se vou votar na próxima eleição. Já ouvi mil condenações à minha omissão, mas me assusto menos com o que dizem ser conseqüência da omissão de pessoas como eu, do que com a visão das pessoas que não se desesperaram diante dos debates do ano passado.
Os debates foram o caos. Dilma e Serra se atacavam, Marina falava muito e não dizia nada e Plínio nos divertia. Quando surgia o intervalo, o twitter revelava o quanto a visão política cega as pessoas. Dilmistas acusavam Serra de enrolar, Serristas vice e versa, mas ninguém percebia que o próprio candidato estava enrolando. Enquanto isso, segundo todos os eleitores, a mídia protegia algum candidato, coincidentemente o oponente ao que receberia o voto do reclamante... (Náuseas e bocejos).
Quanto ao passado, não nego que fui simpática ao governo FHC e tive minhas divergências com o governo Lula, mas na verdade, eu seria capaz de vomitar nos dois, mesmo reconhecendo o mérito dos dois governos: a política econômica. Sobre o restante não vou discutir, não mesmo.
Alguns lulistas insistem em negar que os fundamentos da política econômica que trouxe o Brasil até aqui vieram do governo FHC, isso me irrita profundamente. Principalmente quando se trata de gente que deveria ter conhecimento sobre o assunto, devido à formação que possui.
Quanto a Dilma, na época das eleições, eu não queria que ela se elegesse. Na verdade, minha única esperança em 2010 era que uma nave alienígena invadisse a terra e depusesse os governantes de todo o mundo, substituindo-os por E.T.´s espertos... Afinal, o mundo todo está desgovernado e a humanidade fadada ao fracasso, conforme meu lado pessimista tem interpretado alguns dizeres de Zygmunt Bauman. Contudo, com algumas ressalvas, Dilma tem me impressionado positivamente.
O que mais me impressiona na nossa atual presidente, é a disposição para o trabalho, coisa que não podemos dizer do seu antecessor. Dilma trabalha em gabinete e não mochilando pelo mundo às custas do governo, como fizeram os presidentes anteriores (e antes de algum petista dizer que isso é característica de FHC, favor verificar a quilometragem do idolatrado Lula). Dito isso, pontos isolados em que eu gostei das atitudes dela: abolir a prática lulista de transformar viagens do presidente em showmício comício, convidar os ex-presidentes para o jantar com Obamis, criação da Câmara de Políticas de Gestão e, por fim, a carta ao FHC.
Em geral, eu me sinto mais segura morando em um país que o presidente trabalha e, além disso, não age como alguém que tem o rei na barriga. Dilma tem reconhecido acertos alheios e personalidades políticas, coisa que Lula nunca fez, e é uma coisa admirável, principalmente quando se trata de uma mulher que ficou conhecida como “cria do Lula”. Contudo, não podemos ignorar os tropeços, como deixar para trás sua opinião sobre o aborto, abraçar uma fé que não possui em nome dos votos, assinar documentos sem ler antes das eleições, barganhar o Kit Gay pelo Palocci com a cambada evangélica, manter nosso caricato Ministro da Educação (que agora eu nem quero mais que demitam, só pra contrariar o Garotinho), apoiar a suspeita Ana de Holanda, etc e tal...
De qualquer forma, o post é pra dizer que gosto de abrir o jornal e me orgulhar de algo feito ou dito pelo presidente, coisa que Lula nunca me proporcionou, e que de vez em quando Dilma me proporciona. Obrigada, presidente! (Eu não falo presidenta nem sob tortura).