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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Estudos apontam que estudos apontam que estudos...


De uns tempos para cá, principalmente pelo perfil do twitter do Estadão , o bordão "estudos apontam" tem sido motivo de pilhéria para a galera que vive a se perguntar a relevância de tais pesquisas, geralmente efetuadas na Gringolândia, financiadas pelos contribuintes de lá. É cada coisa tão absurda que até criaram o Estadãos, feito para zoar as postagens do jornal paulista - e que por milagre ainda não foi censurado pelo uso da marca. 
O fato é, que para mim, algumas dessas pesquisas são feitas por desocupados de carteirinha, que ao invés de gastarem seu tempo, seu precioso tempo xingando muito no twitter, por exemplo, estudam a vida sexual dos ornitorrincos e a sua aplicação na vida cotidiana dos texugos, ou que canhotos conseguem pensar melhor conversando com ambidestros de cabeça para baixo no bondinho do Pão de Açúcar.
Navegando pelo IG, vi que matemáticos britânicos passaram um tempão formulando equações que tentam explicar o sucesso que uma canção alcança ao ser lançada. Ora, a despeito do jabá que as gravadoras injetam nos rádios (e eu ouvia muita rádio até 1997, pelo menos, depois criei abuso), eu não conseguiria imaginar outra explicação para um sucesso de uma música que não o velho compartilhamento dela pelos amigos, seja pelas velhas fitas-cassetes ou uma noite em que todo mundo parava para ouvir aquele vinilzão ou mesmo um cd, ou pelo clip bacana da MTV... E, é claro, a beleza da música, o talento da banda e dos cantores, etc, etc...
Até imagino que tais fatores possam transformar-se em variáveis de equações matemáticas, mas fico me perguntando: para quê??? 
Aí um dos caras lá diz que o fato de uma música ser ou não dançante. Se era importante nos anos 80 hoje já não é? Beleza, precisa de equação para demonstrar isso? E é todo mundo que ouve e gosta de uma música só porque ela é boa de dançar?
Eu só conseguia ver objetividade na matemática nos meus áureos tempos de contabilista e só. Algo do tipo que esses matemáticos ingleses estão fazendo é conversa para boi dormir. Depois a turma de Exatas diz que a galera de Humanas viaja na batatinha. 
Acho que esses pesquisadores deveriam assistir The Wonders - O sonho não acabou, lá explica direitinho como uma música pode fazer sucesso.
Simples.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ainda é insuficiente


Como profissional da Educação acompanho atentamente, pelo menos desde 1996, quando a Lei 9394, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sancionada por FHC entrou em vigor. O projeto original, concebido por Darcy Ribeiro e que recebeu diversas contribuições da comunidade acadêmica, profissionais de educação em geral, foi totalmente mutilado pelo então ministro da Educação, Paulo Renato, que privilegiou um modelo inspirado no sistema espanhol. Tal modelo, principalmente no que diz respeito ao Ensino Superior, por exemplo, retirou das Universidades Federais recursos importantes, carreando-os para o "boom" das universidades particulares em prol de uma suposta democratização do terceiro grau, mas o que ocorreu foi o surgimento desenfreado de inúmeras faculdades de qualidade duvidosa, que aumentaram o número de matrículas (que obviamente não seria alcançado se dependesse do ingresso nas universidades públicas), apenas para atender aos padrões estatísticos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Banco Mundial. Resultado: um verdadeiro êxodo dos melhores pesquisadores para o Exterior, sucateamento do sistema federal de ensino (principalmente dos cursos de licenciaturas e de Ciências Humanas), falta de incentivo à pesquisa na graduação e na pós-graduação e desvalorização dos docentes em todos os níveis.

Desde 2003, entretanto, a situação começou-se a alterar-se, muito embora programas como o PROUNI e o aumento de crédito do FIES ainda sustentem o sistema particular de Ensino Superior, mas a interiorização das federais e o aumento do número de campi, também dos Institutos Federais de Tecnologia, os programas de qualificação e aperfeiçoamento de pessoal da área (aumento das bolsas de mestrado e doutorado) de certa forma melhoraram o ensino. Mas falta mais. Principalmente porque o investimento na Educação Básica, via Fundeb (Fundo da Educação Básica), com o Piso Nacional dos Professores é ainda alvo de críticas por conta da maneira como é distribuída, por meio da municipalização e da estadualização dos recursos, o que dá margem aos conhecidos desvios, e a falta de vontade política dos governadores, como Cid Gomes, do Ceará, que acha que professor deve trabalhar por amor, em implementar o que a lei manda, apresenta resultados exíguos.

E tais resultados ínfimos são apresentados pelos governos como verdadeiras conquistas, na velha tática de desviar o foco. Por isso que o clamor popular desde o começo do ano em dar uma reviravolta, por meio da votação do novo Plano Nacional da Educação, que pode ser sentido pelo número de emendas apresentadas a ele (três mil emendas, recorde no Congresso desde a elaboração da Constituição de 1988), em elevar a percentagem do PIB que é usada em investimentos na área (que deve girar em torno de 6%, atualmente) em até 10%. Ter Educação como prioridade é a tônica em qualquer nação que se diz civilizada e eu me lembro de um amigo japonês que espantou-se ao saber que eu sou professor, e ele, que já me tratava respeitosamente, passou a me tratar ainda mais, porque lá os professores são encarados como pessoas super-especiais e merecedoras de uma atenção especial. E ficou ainda mais espantado ao saber quanto eu recebia...

Há quem possa dizer que chegar aos 8% é um avanço. Paliativos nunca são avanços. Para se avançar é necessária vontade política que parece algo que passa longe aos nossos parlamentares. E até ao próprio governo, que no projeto inicial propôs apenas 7%. Se formos relembrar o PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro) uma espécie de "bolsa-família" para banqueiro criado por FHC (que Lula manteve diga-se de passagem), apenas em uma operação da compra de um banco semiliquidado pela Caixa, destinou quase dois bilhões de reais. Apenas para a Caixa, uma vez que o Banco do Brasil também efetuou operações desse tipo, que ultrapassam em muito o total de muitas verbas destinadas à Educação.

Por isso que apesar de ser um aumento "substancial" não deve ser comemorado. A priorização da Educação, sim, espero que um dia possa ser base de um governo. Aí eu comemorarei.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Toda nudez será castigada (?)




Como diria um amigo meu, pândego de carteirinha e grande parodista nas horas vagas (ou seja, todas, que ele tá numa situação periclitante como a minha - e dizemos que nosso ócio nada criativo que beira a vagabundagem é nada mais nada menos do que "espaço livre para pensar sem culpa"), "O que é que vou fazer com essa tal pós-modernidade, se eu vivo o tempo todo vendo BBB?"... 
Piadinhas à parte, eu fico tentando assimilar os modos de protesto postos em prática na atualidade. Dos flashmobs às ocupações (que correm o risco de se tornar algo meio sem propósito, por conta da banalização - então neguinho e branquinho vão levar o violão pra tocar desde Bob Dylan e Legião Urbana e fazer cocô no matinho), mas nada me chama tanto a atenção quanto a essa coisa de todos saírem mostrando suas partes pudentas por aí, numa boa.
Não que eu seja moralista, muito pelo contrário, já fui à Tambaba (a praia de nudismo que fica na Paraíba), vi os naturistas lá, mostrando as vergonhas (como diria o Pero Vaz de Caminha na famosa Carta em que ele próprio ressalta que as vergonhas das índias eram "bonitas e depiladas", o que me fez pensar, à época em que li, que Portugal passava uma tremenda crise de falta de gillette) e eu com vergonha de mostrar as minhas. 
No caso da egípcia Aalia Magda Elmahdy, me chama a atenção o fato de ela e o namorado terem se despido e postado fotos no blog dela (conteúdo impróprio para menores) para reclamar da falta de liberdade que ainda permanece no Egito, mesmo com a revolta que derrubou o Mubarak, mas que deixou no poder uma Junta Militar. À melhor maneira dos verdadeiros questionadores, ela e o namorado criticam a visão teocrática da maioria da sociedade egípcia, o que fez com que os "revolucionários" a chamassem de vários epítetos nada lisonjeiros e tirassem o corpo fora. Quer dizer que sair se matando na praça pode, tirar a roupa é coisa de vagabunda e prostituída. Em um ato de apoio super legal - e que acho que só foi noticiado porque envolvia mulheres nuas - ativistas israelenses prestaram solidariedade à Aalia, algo que é considerado muito incomum, devido às rusgas entre árabes e israelenses. Digo é considerado incomum, mas é mais corriqueiro do que se imagina. Como eu disse, como tem mulher em jogo, a galera reporta numa boa.
No caso do artista americano, ficar nu, crê ele, é uma forma de demonstrar (jogando poker) a dinâmica da economia americana. ótimo protesto em meio à essa crise monstruosa. 
Só acho complicado de ficar nu por aí é imaginar meu bumbum assando no calor egípcio ou congelando no inverno dos EUA, sem contar que além de ser muito constrangedor, imagino ser complicado pra higiene, além de ficar exposto ao crivo do olhar de pessoas que vão tecer considerações acerca do meu pobre corpinho, coisa que não curto.
Mas, ainda assim, ficar nu, nesses casos, é mais autêntico e mais legal do que o "protesto" do aloprado que deu um golpe de jiu-jitsu na Monalisa Perrone, no link ao vivo do Jornal Hoje.