Manchete de Ontem: Motorista morre após ser humilhado por Zezé Polessa
E mais uma vez a notícia é a falta de tolerância!
Eu não consigo entender em pleno século XXI ainda existir tanta gente com o "rei" na barriga!
E se fala que a monarquia é um governo decadente, ledo engano, está super em alta!
Todos os direitos são meus.
Porque eu sei dos meus direitos, está na constituição!
Eu sei a lei meu amor.
Você sabe o que te convém, o que pode alimentar o seu "reizinho".
Você esquece que a mesma lei sua, é minha também!
Povo mimado, mau educado.
Sério, eu tenho pena de vocês.
Usem os dias que você tem na Terra pra fazer o bem.
Pra sorrir.
Espalhar alegria.
Ajudar o próximo.
Se não for pra isso: morra!
Não atrapalhe a energia boa.
#chatiada
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sábado, 19 de janeiro de 2013
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Escudo para a ignorância
E foi depois da Marcha para Jesus, da fala de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini (bispo da diocese de Guarulhos) sobre o estupro de mulheres e do discurso de Myrian Rios que equivocadamente relacionou pedofilia e homossexualidade, que parei para pensar no que estava acontecendo.
São três situações diferentes, que envolvem pessoas distintas, no entanto, há algumas características semelhantes e que muito me preocupam. A intenção desse texto não é “julgar” a orientação sexual ou religiosa de ninguém, deixemos esse assunto para outro dia, quem sabe. Quero apenas discutir ou levantar alguns pontos que me intrigam, como o discurso pautado na religiosidade velando preconceitos e ideias equivocadas. Até onde demonstrar e defender o que você acredita não ultrapassa aquela faixinha de respeito que não pode ultrapassar a liberdade de outro? Questiono.
No último dia 23 ocorreu a marcha para Jesus. Segundo os organizadores do evento essa teve como objetivo a difusão da paz, o amor, a solidariedade, o respeito, a tolerância. Bonito, né? Mas não foi isso que se viu, necessariamente. Além daqueles fieis que estavam ali claramente PARA Jesus, alguns resolveram falar sobre união homoafetiva (que muitos veem como anormalidade) e até maconha (devido à legalização da marcha da maconha). Curioso foi ver a fala de Silas Malafaia, que atacou a decisão do STF de liberar as marchas do tipo no Brasil: "Amanhã se alguém quiser fazer uma marcha em favor da pedofilia, do crack ou da cocaína vai poder fazer. Nós, em nome de Deus, dizemos não". Olha o extremismo da pessoa, a figura pública e formadora de opinião transmitindo exageros aos seus seguidores.
Assim como Eliane Brum, eu sequer sabia que a Miryan Rios era deputada estadual do Rio de Janeiro e só vim saber depois desse bafafá todo, de verdade. Achei muito estranha a declaração dela, alegando que não contrataria uma pessoa devido à orientação sexual desta, uma vez que seus filhos poderiam ser vítimas de pedofilia. Myriam Rios utilizou tais ideias para argumentar contra a regulamentação da PEC 23. Depois de toda a repercussão, disse que foi mal interpretada e que não é de forma alguma preconceituosa. Ora, se não é intolerante, não discrimina, suponho que seja, no mínimo, muito mal informada. E a pergunta que eu faço: Quem votou em Myrian Rios?
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini apresentou uma visão distorcida e apelativa em relação ao estupro, dando a entender que a mulher que sofre o abuso nem sempre é tão abusada assim. Tal discurso é pertinente a uma figura que exerce tamanha influência entre seus fiéis?
As três figuras públicas não estão proibidas de demonstrar o que pensam. Isso seria ir contra a liberdade de expressão e, como a maioria das pessoas sabe, isso é inconstitucional. Mas ao ver algumas essas “expressões de autoridade” fica a impressão de que aquele que devia amar e provocar a união está servindo como ponte para a expansão da intolerância e também da ignorância. Que coisa mais feia! Isso muito me entristece.
Assusto-me principalmente com a exposição de ideias equivocadas e por vezes dotadas de preconceito, vindas de pessoas públicas que deveriam pregar a paz, aproveitar a notoriedade para informar e espalhar a tolerância. A deputada e as demais figuras religiosas podem dizer o que bem entendem, claro, é um direito. O problema está em expressar essas informações de maneira distorcida e o pior: muitos acreditarem e validarem esse tipo de discurso.
Usar a fé como escudo para disseminar informações tantas vezes inverossímeis deveria sim, ser proibido. Não tem a ver com o veto da expansão das crenças das pessoas, mas com o impedimento da expansão da ignorância.
Fica aqui minha sugestão: antes de subir em um palanque, em um púlpito, ou se colocar em frente às câmeras para dizer o que se pensa, seria interessante que não só eles, como tantos outros formadores de opinião se informassem, estudassem um pouco sobre aquilo que querem pregar e convencer, para o bem dos outros. É pedir demais?
E concordo sim, com o que Eliane Brum disse: “É preciso se despir da vaidade das certezas para alcançar a dor do outro – movimento imprescindível para o amor.”.
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