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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um ano e meio por falar besteira.

Manchete de ontem: Estudante que pediu para matar nordestinos é condenada

Não quero entrar no viés politíco ou politicamente correto, minha especialidade não é esse e nem pretende ser. O que me chamou a atenção na condenação de Mayara Petruso, que ficou famosa por xingar nordestinos no twitter em 2010, foi esse sentido mais amplo, mais fundo da discussão toda: a noção clara e simples de que é preciso ter cuidado com o que você fala.

Não importa se o seu discurso é preconceituoso, arrogante ou simplesmente chato. Cuidado. Não fale demais. Primeiro por que ninguém realmente está interessado na sua vida, segundo por que, de um modo ou de outro, tudo o que você diz pode um dia ser usado contra você. E será, não tenha dúvida.

Mayara estava errada em xingar nordestinos. Por que preconceito é crime e deve ser punido como tal. Você aí, na sua sonhada insignificância, pode achar que não tem problema tagarelar o dia todo no twitter. Mas, sempre tem problema sim. O que é escrito é lido. E julgado pelos outros.

Enquanto a gente não souber lidar direito com a liberdade de poder falar o que quiser, ficar calado será sempre a melhor escolha.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Nem Deus Afunda o Torrent!



Foi a notícia mais engraçada que vi essa semana. Além do nome da empresa ser muito maroto, eles acham que são espertalhões. Pirate ~Pay~. Eu aqui humildemente, com meu conhecimento mínimo sobre tecnologia, acho que não vão conseguir proteger arquivo nenhum.  Não digo isso baseada nos dados escassos e mal contados que a empresa forneceu, mas sim porque ainda acredito na liberdade.

Esses dias estava pensando na Deep Web e concluí que, como não tenho interesse em contratar assassinos, comprar produtos ilícitos ou alguma tara muito bizarra e/ou  ilegal, ela é completamente inútil para mim. A internet normal já é o suficiente para mim. Uso a internet para baixar filmes e músicas sim e continuarei fazendo isso até quando ainda for possível. Respeito a opinião de quem não baixa, mas acima de tudo, acho que tenho liberdade para pensar como penso e de ser respeitada também. Isso é liberdade.

Independente dos motivos por trás de minha opinião sobre downloads ilegais, acho que a internet é a maior e mais importante ferramenta para a liberdade que a humanidade já criou. É ampla, é aberta, oferece infinitas formas de expressão e permite a comunicação para o bem ou para o mal. O que me preocupa é que essa liberdade corre riscos. Talvez ainda não técnicos, mas ideológicos. E é preciso pensar e questionar toda essa situação por vários ângulos para ao menos tentar chegar a uma opinião sensata.

E que se dane a imparcialidade. Se o navio da pirataria for afundar, ficarei nele até o fim.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

De um lado este carnaval, do outro tudo desigual

Não sei muito bem o que falar sobre isso, até peço desculpas.
Mas é que a cada dia que passa eu ando achando o mundo mais chato e sem graça. O menino joga a bola e outro não devolve e corre para sua casa, porque ninguém mais quer conviver já que existe muita coisa para curtir e compartilhar. As pessoas andam apressadas sem tempo para nada e com medo de serem assaltadas. As notícias são distorcidas e logo quando aparece a imagem de um sujeito do oriente médio ou qualquer país que se encontra por ali, os rótulos de terroristas já começam a surgir. Então, eu começo a cansar de um mundo que prega democracia, mas que não deixa existir a livre expressão. Sempre com essa hierarquia. Sempre sendo melhor quem tem capital. Ah, conversa chata!


Escolher pessoas para governar no estado é muito fácil quando são as empresas privadas que governam tudo.
Fiquem bem.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Bebidas alcoólicas & Futebol

Álcool pode ser liberado nos estádios em março

Ser livre é a regra geral, mas algumas liberdades necessitam de um suporte. O adolescente, quando demonstra ter responsabilidade para os pais, tem uma maior liberdade para sair, mais independência talvez...  a responsabilidade é o suporte desta liberdade. Renato Russo também cantou que disciplina é liberdade... nesse caso o apoio para liberdade é a disciplina, com disciplina você é livre para fazer o que quiser. Então, eu posso ser livre em alguns aspectos, se há condições para que eu seja livre.

Eu precisei fazer essa breve introdução sobre apoio de liberdade para entrar no assunto de hoje, da manchete de ontem. A notícia da Folha diz: “Álcool pode ser liberado nos estádios em março”.

Lembro-me bem quando houve a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios... muita gente chiou e achou um absurdo: futebol sem cervejinha? Melhor do que futebol com violênciazinha... Olha, eu sei bem que o buraco é mais embaixo, não precisa puxar minha orelha. Se eu pudesse discutir profundamente o assunto, esse blog viraria o “Manchete do Infinito” porque meu post não iria terminar nunca. Todavia, ninguém pode negar que com menos bebida alcoólica, existe uma probabilidade menor de ter confusão, apesar de que é preciso saber que a bebida alcoólica não é a única culpada pela violência – tanto é que sua venda foi vetada nos estádios e a violência têm continuado, como por exemplo aqui em Goiás, onde as torcidas organizadas não puderam apreciar neste final de semana o bate-bola do campeonato por terem sido penalizadas.

Agora eu te pergunto: se o cara vai sóbrio para o estádio e mesmo assim mata uns torcedores aí, depois da partida, simplesmente por se desagradar ao ver o indivíduo vestindo o uniforme do time adversário, torcendo para o time adversário, o problema certamente não é só a bebida.

Agora inclua a bebida nisso aí.

É de se esperar que o quadro melhore?

Na minha humildade, digo: não. Vamos melhorar o policiamento, então! Mas não é só enfiar um monte de “puliça” lá não. Isso ajuda, só que quando eu falo de melhorar o policiamento eu trago aqui um montão de coisas juntas: melhorar o nível dos policiais, o nível de quem faz o teste psicotécnico deles, melhorar o nível do curso que eles recebem e o nível salarial, óbvio.

Resumindo: não acho legal dar a liberdade do uso de bebidas alcoólicas nos estádios – muito menos na Copa de 2014, em que gringos estarão por aqui vendo a bagunça do nosso país. É bem verdade que é direito do tio beber sua cervejinha enquanto assiste o jogaço entre o Tabajara Futebol Clube e os Sem-Camisa, tudo bem. Mas para dar a liberdade ao tiozão, que não é da violência, nem nada, é preciso dar um suporte, um apoio, dar condições. E hoje em dia onde a polícia não dá conta nem das torcidas organizadas parcialmente sóbrias (elas bebem enquanto vão para o estádio), com umas cervejas na cabeça então?!

Talvez eu esteja errada nessa minha opinião...Desculpem-me pelo  excesso de sinceridade, mas infelizmente por causa de um povo ainda sem muita noção, eu prefiro que a liberdade de beber em estádios seja mitigada... por enquanto. Se eles querem beber, eles que votem melhor em seus representantes e que estes deem condições suficientes para aqueles fazerem uso de liberdades que precisam de um suporte para serem exercidas.

O problema vem neste exato momento: a Lei Geral da Copa, que versa sobre o assunto, será votada pelo Senado e pela Câmara, e os tiozinhos de lá têm condições para exercerem essa liberdade: bebem em camarote, com seguranças e policiais a serviço de seu bem-estar...

(Comentário pessoal desnecessário: Minha “fé” nessa galera das Casas Legislativas aí anda baixa: como posso confiar na decisão de um parlamento que lê na Constituição que o estado é laico e abre a sessão legislativa de cada ano com um Presidente que diz “Sob a PROTEÇÃO DE DEUS, iniciamos nossos trabalhos” ? ¬¬)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Rembember, remember...

Do Brasil, presidente autoriza ataque à Líbia
ONG diz ter achado em hotel 53 líbios pró-Khadafi executados
Kadafi 'morreu furioso e decepcionado', diz aliado
Novo mufti da Líbia diz que que Kadafi não era muçulmano e proíbe funeral sob rito islâmico
Líder do CNT diz que a lei islâmica será a base de novo governo da Líbia

"People should not be afraid of their government. Governments should be afraid ot their people." - V for Vendetta

Amanhã é 5 de novembro, aniversário da Conspiração da Pólvora. Um homem chamado Guy Fawkes tentou explodir o Parlamento Inglês nesse dia, com o objetivo de dar fim ao governo protestante instalado pelo Rei Jaime I: durante seu reinado, católicos e outros religiosos não-protestantes eram privados de direitos a liberdades religiosas, sendo oprimidos severamente.

Saddam Hussein  foi condenado à forca dia 5 de novembro em 2006, e exatamente dois anos depois, Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, o país supostamente símbolo e defensor das liberdades individuais - inclusive religiosas.

Kadafi era chamado por Ronald Reagan de "cachorro louco", e por muitos anos foi um inimigo norte-americano, acusado de financiar o terrorismo - o que de fato fez até o fim de seu regime. Em 2008, Condoleezza Rice, o pit bull de George W Bush, prestou uma visita à Líbia para dizer ao mundo que o cachorro louco agora era um amigo, e que os EUA acreditavam em seu rompimento com o terrorismo.

Obama discordou. Em 2011, veio ao Brasil e em seu primeiro dia por aqui, aproveitou a oportunidade para brincar de vanguardista irresponsável: em um país soberano que não era o seu, declarou guerra à Líbia, deixando claro a todos que o mundo é seu quintal. Depois, em um "discurso histórico" (sono), estabeleceu paralelos inexistentes entre a ditadura militar laica brasileira e os regimes fundamentalistas islâmicos, escolhendo cuidadosamente as palavras para atear fogo no Oriente Médio. Obama disse que todos poderiam ser como o Brasil: ricos, felizes e democráticos. 

Para dar ares positivos a tanto derramamento de sangue, inventaram a "Primavera Árabe". Lindo termo, e seria admirável assistir aos descendentes dos grandes patronos da matemática, astronomia, das universidades e capitalismo em uma busca por democracia e liberdade.

Com tal pretexto, a Líbia foi invadida. O ditador africano morreu temendo seu povo, e duas semanas depois,  o povo novamente teme o governo, e não sem razão: Kadafi foi capturado, sodomizado, espancado e morto por seus captores, ainda que o governo interino houvesse jurado ao mundo um julgamento no Tribunal de Haia, da mesma forma que após sua morte prometeram o enterro em 24 horas seguindo os ritos islâmicos. Ao contrário disso, seu corpo foi exposto por dias em uma câmara frigorífica para quem quisesse ver, cuspir e rir. Osama Bin Laden e Saddam Hussein tiveram mortes mais dignas, ainda que o enforcamento do segundo tenha vazado para a Internet.

A OTAN bateu retirada, os jornais já se esqueceram da Líbia, e o mundo se comporta como se agora o caos fosse exclusivamente um problema da população local. Enquanto isso, um governo provisório pretende estabelecer uma "democracia" baseada na Sharia, e entre os envolvidos na organização da "nova" Líbia,  e elaboração de sua constituição, está o ex-Ministro da Justiça de Kadafi.

Entre os líbios islâmicos moderados, cristãos e ateus, há um grande temor por um governo e legislações que extingua a pouca liberdade religiosa que existiu no regime anterior. Até porque a maioria da população não é fundamentalista, mas o governo que os deveria representar está cheio deles.

Kadafi nunca foi um benfeitor, mas ao baixar da poeira é visível que o objetivo era eliminar uma dinastia, e não fazer a caridade de libertar a Líbia da opressão: não há manifestações da Casa Branca, grande patrocinadora de toda a confusão, sobre o massacre de soldados e civis pró-Kadafi, sobre sua morte, ou sobre a constituinte fundamentalista que se forma naquele país. Esse tipo de assunto, essas '"saias justas", é melhor deixar para a ONU.

Ainda que toda a retórica ocidental jure de pés juntos "Yes, we can", não há flores ou beleza alguma na Primavera Árabe. Gostaria de saber se Barack Obama irá fazer outro "discurso histórico", assumindo sua responsabilidade, explicando a líbios, iemenitas, sírios, jordanianos e tantos outros, onde está a primavera, onde está o Brasil que o presidente americano lhes prometeu. Gostaria de saber se irá assumir o trolling político, ou se ao invés disso apenas irá sorrir ao apertar as mãos de novos opressores, que sorrirão de volta em busca de apoio comercial.

Amanhã será mais um 5 de novembro de indivíduos oprimidos por reis, xeiques, aiatolás e muftis, com mulheres sendo enterradas vivas ao lado de seus finados maridos, com burcas e niqabs sendo usados não por convicção religiosa, mas por obrigação, com homens e mulheres sendo condenados a apedrejamento ou enforcamento em praça pública, ao invés de todas as outras penas de morte ou alternativas a elas já existentes. 

No fim das contas, não há primavera alguma.