quinta-feira, 21 de março de 2013

Das carências alheias e da minha chatice






A impressão que sempre tive, desde que comecei a me julgar adulta, era a de que as pessoas quanto mais velhas, mais experientes e mais desconfiadas se tornavam. No entanto com o passar dos anos percebo que isso é uma grande invenção da minha cabeça.

Das duas, umas, ou eu sou ‘pé atrás’ ao extremo, ou certamente não dá pra desconfiar de alguém que chega do nada e não vem pra somar, pelo contrário, muitas vezes chega com ‘blá blá blá’, que talvez nem seja tão bem elaborado, mas é sedutor ao ponto de sugar até a última gota de sangue da/o pobre diaba/o e acaba por fazê-la/o perder até o fundo das calças, como diria minha mãe. É, vai ver não dá pra desconfiar.

Francamente, difícil de acreditar que nos dias atuais algumas pessoas ainda se deixem enganar dessa maneira. Ver que golpes assim dão certo, é tão absurdo quanto ver que os crimes de extorsão, que os bandidos praticam de dentro das cadeias Brasil afora, com um simples telefonema, também são bem sucedidos. Tsc!

Ou vai ver eu é que sou chata demais e vejo maldade em tudo. ¬¬’

quarta-feira, 20 de março de 2013

A grama do vizinho é mais verde!

Manchete de ontem: As pessoas enxergam as cores de maneira diferente


Um artigo de setembro na Super Interessante, mostrou que as cores que eu vejo talvez não sejam as mesmas que você vê.
E além do óbvio problema do Daltonismo, para enxergar exatamente as cores é necessário ainda ter os fotoreceptores da retina em perfeito funcionamento.

Mas mesmo que você e eu tenhamos a mesma fisiologia com as células em perfeito estado, mesmo assim o que vemos pode ser diferente.

Por isso se o seu marido acha que tudo é azul e não entende a diferença entre turquesa e azul céu, não adianta ficar braba, brigar e xingar. Nem se ele comprar um vestido roxo e você ter avisado que queria um vestido lavanda. Ele não foi estimulado em todos esses anos usando sapatos preto ou marrom e blusas branco-preto-azul-verde.

Já você tem 45 cores de esmalte, 10 pares de cores diferentes de scarpin, 20 regatinhas, uma de cada cor e um estojo de maquiagem com incríveis 120 cores de sombra, mas preciso comprar outro porque esse não tem aquele cinza chumbo. 

E se você acha que a grama do vizinho é mais verde e ninguém concorda com você, talvez você realmente esteja certa e os outros que não conseguem distinguir essa tonalidade.
Se pra você o por do sol está em cinco cores de laranja, amarelo, azul, roxo e fúcsia, talvez você não tenha usado LSD.  

Acontece que você pode ter o repertório de cores ampliado, com muito treino, no caso de artistas, pintores, maquiadores, mulheres em geral... 
“Se a criança for estimulada desde cedo, o repertório de cores dela vai aumentando”
Ou seja, se quando criança você tinha uma caixa da Faber Castell de 48 cores de dois andares com 8 tons de verde e o seu coleguinha uma caixa de 12, você estaria mais estimulado. Logo, você poderia distinguir maior variedade de tons de cores que o seu colega na vida adulta.

Um salve à Faber Castell.

terça-feira, 19 de março de 2013

O Ministério da Saúde Adverte: Videogame faz muito mal a saúde, pode provocar irritação compulsiva.


Lembro-me de quando eu era pequeno e minha mãe dizia: Pare de jogar durante muito tempo, isso poderá te fazer mal. Apesar de tantos avisos, foi difícil acreditar que a prática de jogar videogame poderia provocar algum mal, entretanto, estes dias, me deparei com uma notícia que me fez compreender o pensamento filosófico de minha mãe a alguns anos atrás. 

“Homem opta por videogame em vez de sexo e é agredido nos EUA”

A leitura prematura desta notícia gerou muitos questionamentos, tipo: como assim?

“Uma jovem foi detida na cidade de Lansford, na Pensilvânia, após agredir seu namorado devido a um impasse dentro de casa. Eric Zuber teria se recusado a parar de jogar videogame para fazer sexo com Heather Hayes, provocando a ira da norte-americana no último dia 26 de fevereiro”.

Talvez seja difícil compreender o porquê desse tipo de agressão física, que motivos poderiam ocasionar tanta raiva, ou o porquê de tanta atenção direcionada ao simples console.
As respostas se concretizam ao saber que o videogame era um Xbox, ou seja, não é um aparelho qualquer, a gesticulação excessiva em cima daqueles botões provocaram uma reação ciumenta na pobre jovem, o joystick estava tão macio que o rapaz estava jogando a dois dias consecutivos. Não aguentando mais a rejeição, a namorada partiu pra cima dele.Isso me faz lembrar uma música antiga: “Entre tapas e beijos...”, porém, devido à falta de atividade sexual Heather Hayes esqueceu-se dos beijos e agraciou seu namorado com tapas, socos e mordidas pelo corpo. Além disso, a jovem decidiu torcer os testículos do homem,(será que ela queria o namorado ou o jostyck?) que fugiu após a inesperada agressão. O namorado acionou a polícia assim que conseguiu se distanciar da eufórica namorada, que provavelmente responderá por agressão simples, assédio e atentado ao pudor.

“Quando eu jogava videogame tudo era tão diferente... Será que a culpa é da Tecnologia?”

Fonte Yahoo

segunda-feira, 18 de março de 2013

Chávez será o primeiro morto a ganhar uma eleição presidencial?


Não quero começar esse texto dizendo que sou do partido x ou y. Não levanto nenhuma bandeira. Sou crítica quando preciso e, também, sei reconhecer as melhorias que uma política faz. Para isso, não é tudo que deve ser vangloriado ou jogado no lixo em qualquer situação que seja. Logo, acho justo dizer o quanto a política social do governo Chávez foi extremamente importante. Porque eu vejo pessoas adotando discursos midiáticos e colocando este homem como um grande ditador e só, ou vejo as pessoas reclamando do jeito que ele governava e isso ou aquilo. Sabe, eu vejo esse discurso partindo de pessoas com uma situação econômica boa e, assim, desvalorizando as ações sociais realizadas. Quem nunca passou fome ou sempre teve casa para morar, dinheiro para pagar planos de saúde não pode ficar dizendo para as pessoas que não tem condições básicas como é que elas deveriam pensar e, ainda, ficar apontando falhas num governo que priorizou isso. A questão não é o quanto esse homem era ditador ou não, a questão é o quanto ele mudou a vida diretamente de várias pessoas. Ele mudou a vida do povo. O problema é que o rico nunca se vê como o povo. Ele se acha demais para fazer parte da população. De certo, ele acha um absurdo o povo (tão distante dele) começar a ter condição melhor na vida. O que me impressiona não é a oposição de um governo x ou y manipular informações e enganar grande parte da população, o que me impressiona é pessoas que se dizem graduadas, entendidas, críticas adotarem discursos sem saber os fatos reais, sem conhecer realmente a realidade. 

OBS: política de cunho social é bem diferente de política de cunho assistencialista.

terça-feira, 12 de março de 2013

pilares do absurdo


sobre o novo presidente da Comissão de Direitos Humanos









Pensei muito antes de escrever este post pelo seguinte motivo: como interpretação de texto é algo que muitas vezes dá pano para a manga, não queria que alguém lesse e entendesse errado. No fundo, estou apenas dando minha opinião sobre os fatos a seguir. Sei que não mudará o preço do dólar, mas sempre tem alguém para entender errado para pior o que tentamos escrever/dizer. 

Dai que uma Comissão em BSB foi dada para alguém meio nada a ver, do ponto de vista de alguns (sim, faço parte deste grupo de alguns). A pessoa escolhida já soltou as seguintes frases: "índio nasce índio, não tem como mudar; negro nasce negro e não pode mudar. Diferente dos homossexuais." Ou então: “africanos descendem de um ancestral amaldiçoado por Noé”Que tal essa:  “sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, AIDS, fome, etc”?  Paro por aqui. Se quiser saber de outras, dá uma procurada. A lista é boa e risível, se não fosse sobre um assunto tão sério.

Só que você chegou até aqui e pensa: mais uma contra o cara. Na verdade, o que me deixa perplexa nem é o cara ser quem é e falar estas merdas. O que me rasga o fígado é ter gente que concorda com e assina embaixo do que ele diz. Este senhor é representante de vários, VÁRIOS que se escondem atrás dele. Sabe quando a gente acha que está no século 21 e fala: "meu, mas como isso ainda ocorre?" A verdade é que muitos (talvez esmagadora maioria) concordam com ele. Ele diz o que vários pensam mas não falam. Estas pessoas que encontram voz por outras pessoas são pilares. Gente que aplaude os disparates alardeados. Gente que lá no fundo se sente melhor do que os outros. Gente que, sem sombra de dúvida, não tem coisa alguma a ver comigo.


Devo ser pior do que eles, já que não concordo em apoiar ideias tão descabidas. Então eu penso: li outro dia que o novo presidente do Senado (aquele que quase foi cassado) tem fã-clube de jovens. Oi? Assim, OI? A gente reage como a uma notícia destas? (Quem quiser ler mais (e tiver estômago para tal), é só clicar aqui.) Adianta insistir em um mundo onde existe este tipo de notícia?

Este tipo de coisa me constrange e, pior, me cansa. Vale a pena continuar seguindo contra os velados mas numerosos? E, certamente, tem muito mais gente importante que pensa como o digníssimo ai de cima. E os outros vários por trás empurrando estes para a frente? Fazer o que neste caso? Tentar expor outra opinião? (perda de tempo). Tentar EXPLICAR? (alguém aguenta?) Penso se não deveria pegar minhas trouxas e viver numa terra do Nunca. Tomando eternamente ENGOV, não pelas biritas ingeridas, mas para que meu fígado sobreviva até o final desta minha encarnação. Será que isto só ocorre aqui? E, assim, esses que concordam com os tios em questão, vocês realmente concordam com as pérolas feitas e ditas? Really?

sábado, 9 de março de 2013

Eu descobri que azul é a cor da parede da casa de Deus


Durante minha adolescência Charlie Brown Jr. foi minha banda nacional favorita. Comprei alguns CD's, fui em alguns shows e delirei nas letras de Chorão. Essa do título, inclusive, era uma das minhas favoritas: "Livre pra poder sorrir, sim. Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol".

Com o tempo fui amadurecendo e as frases de efeito do Chorão deixaram de fazer todo aquele sentido na minha vida, mas nunca deixei realmente de gostar da banda. Virei aquele tipo de fã que só curte as coisas antigas de uma banda e tem certo desprezo pelo material novo e - na minha opinião - mais fraco que o antigo. Mas isso não quer dizer que eu não tenha respeito pelo material produzido. 

O que pega é que desde a Cássia Eller o rock'n roll brasileiro não sofria um baque tão forte. Por sinal, a comoção com Chorão foi muito maior. E pra mim foi como ver minha adolescência morrer abruptamente. Foi como perder aquele amigo antigo que você não vê há muito tempo, mas sabe que ele está lá e sente sua perda. Entendo o sofrimento dos mais jovens. Entendo esse desespero. E sinto por isso. Essa geração, até então imaculada, com seus ídolos certinhos e limpos, perdeu o único expoente revolucionário de um marasmo no rock nacional.

Para quem não viu Cazuza e Renato Russo, Chorão será sempre uma lenda. E um exemplo: Droga mata. E pronto. Levou Cássia Eller e levou a alma do Charlie Brown Jr - isso pra ficar nos nacionais. Quando isso vai mudar? Quantos ídolos mais virarão mártires?

Descanse em paz, Chorão. Seu legado é eterno.

Parecia inofensiva, mas te dominou.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Esquerda, a Direita, e o que realmente importa

Manchete de Ontem: Morre Hugo Chávez
Manchete de Ontem: Yoani Sanchez enfrenta novos protestos na Bahia


Pessoas são realmente intrigantes.

Achei muito interessante os protestos contra Yoani Sanchéz, e como muita gente entrou no Facebook para falar sobre isso, como ela era uma traidora e quem discorda é desinformado sobre a realidade. Novamente, os ânimos na minha timeline se exacerbaram quando o venezuelano Hugo Chávez faleceu, conforme era de se prever. 

Acho particularmente curiosos os diversos casos de frequentadores de Tok&Stock, Outlet Premium, Dom Francisco e Saborella protestando com veemência e aparente convicção contra todos os porcos direitistas que supostamente estariam celebrando a morte de Chavéz, uma liderança carismática que graças às frágeis estruturas democráticas e maturidade política de seu país, conseguiu ser presidente por quatorze anos, e o seria por muito mais tempo se continuasse vivo. 

Particularmente, não torci contra ou a favor da vida do político. Não acredito em torcidas nesses casos, nem em termos de eficiência, ou por acreditar que o que representa um indivíduo morre com ele. Ideologias sobrevivem a "mártires", e muitas vezes se fortalecem após eles. É assim a séculos e séculos. 

Uma das coisas que nos separa dos macacos, é nossa capacidade gigantesca de criar rótulos. Gostamos de colocar pessoas em caixinhas, e esperar que elas fiquem sempre dentro delas. Quando alguém insiste em sair dessa caixinha, o imperativo coletivo insiste em colocá-lo dentro de outra caixa. 

Como se pessoas não pudessem circular livremente e inteligentemente entre correntes diversas de pensamento. Como se isso fosse um ato de rebeldia, e por si só, a fundação de uma nova corrente. Nós estabelecemos que o indivíduo não pode pensar individualmente ao observar o coletivo. Entendem o que quero dizer?

Aí chegamos a esse ponto: abraçamos uma ideologia teórica, e uma vida prática totalmente diferente. Nos tornamos hipócritas e recusamos a enxergar que, na verdade, existem acertos e erros por todos os lados. Nos recusamos a recusar as caixinhas, e padecemos com isso. Considero recriminável os discursos odiosos que enfrento cada vez que ouso discordar publicamente da obra política geral de Lula, apenas porque para mim a alegada "ruptura" que seus partidários (filiados ou não) afirmam ter existido, em minha opinião nunca existiu. Reconheço muitos acertos, mas não me nego a enxergar inúmeros erros, mesmo nos acertos.

Ao contrário do que muitos pensam, eu acredito no assistencialismo. Acredito de verdade. Sou favorável a cotas em universidades para egressos do ensino público, a programas como o Bolsa Família. Vejo no assistencialismo brasileiro, venezuelano, e mesmo americano (sim, existe por lá também) a melhor forma de amenizar imediatamente problemas sociais urgentes, muitas vezes crônicos. Entretanto, o assistencialismo sozinho não soluciona o problema ao longo dos anos. Assistencialismo não reduz curvas de aprendizagem, de inclusão social.

A sensibilidade, e não a postura ideológica, deveria levar todo ser humano a compreender a necessidade do assistencialismo. A inteligência, e não a postura ideológica, deveria nos levar a compreender que outras ações, como a mudança na forma de se pensar, gerir e fazer educação, política, saúde e infraestrutura nos libertaria a longo prazo de vários problemas sociais e econômicos.

Eu não consigo levar a sério pessoas que sempre tiveram "tudo" (não um lamborghini, mas educação, alimento, moradia e acesso a informação em geral), e não compreendem a necessidade de subsidiar o mínimo a quem é esmagado diariamente pela dinâmica do mercado, pela falta de oportunidades. 

Da mesma forma, não consigo levar a sério quem usufrui de todos os benefícios supérfluos e consumistas de uma economia livre, de um país democrático, que do alto de seus dispositivos Apple entram no Facebook para criticar a postura anti-governo uma ativista vinda de um país sem nenhum desses privilégios, ou para chamar qualquer um que não partilhe de sua visão romântica do Socialismo de "direitista".

Pessoas carecem de capacidade analítica. Seja para avaliar sua própria vivência, o histórico da humanidade, os resultados catastróficos de implementações práticas de teorias lindas, o que há de bom e útil em uma ou outra corrente de pensamento, e assim por diante. O que importa é brigar e até morrer por um núcleo sólido e falido decidimos num momento abraçar sem analisar todas as suas nuances, todas as suas implicações.

Enquanto prevalecermos assim, pode morrer Che Guevara, Chávez, Allende, Abraham Lincoln, Osama Bin Laden, Kadafi, Kennedy, e todos os 7 bilhões de habitantes desse planeta insignificante. 

Continuaremos perdidos e vítimas de nossa própria ignorância e intransigência.

segunda-feira, 4 de março de 2013

O Manchete de Ontem quer saber...


Que o mundo inteiro é conivente, de certo modo, a situação de bloqueio econômico vivida em Cuba todos nós já sabemos. Afinal, tudo que é diferente é colocado a margem. O mendigo na rua, o colega de sala que tem um peso a mais e é sempre o último escolhido para entrar no time, o que tem pouca formação e mora na favela, o cigano que é tratado como ladrão. Quer dizer, tudo que não se encontra no pacote definido de forma verticalizada por alguém é deixado de lado. Nós começamos a crescer e, então, achar normal uma exclusão aqui e outra ali. Se eu excluo meu vizinho da confraternização do bairro só porque ele tem menos condição, o que tem um país que eu nem vivo não está no pacote de países em que o meu se encontra, né verdade?
Mas após o nosso incrível crescimento, perguntas críticas também deveriam entrar nos nossos debates, isto é, como pode um país tão "atrasado" econômico e tecnologicamente como cuba, ganhar disparado de nós na educação e na saúde? Deixemos a saúde para os médicos de plantão. Falemos da educação. Eu sei, isso aqui anda ficando chato, todos os meus textos são sobre a educação e blá blá blá. É que eu escrevo na esperança de registrar isso e poder daqui uns vinte anos ver que isso aqui era horrível, mas que no futuro...
Bom, a única explicação que existe para cuba ganhar de nós na educação é uma: eles acreditam na educação. Claro, se não acreditassem não teriam pós revolução (há quantos anos mesmo, hein Fidel?) terem feito um intensivo processo de alfabetização. E nós no mundo pós moderno definindo os vários tipo de alfabetização que assolam o nosso país. Qualé? Quem é o país desenvolvido nessa história?
Se eles acreditam na educação, permitem a valorização desta. Os estudantes do ensino básico são motivados a virarem estudantes no ensino superior nos cursos de licenciatura e aí está: acreditar, valorizar, motivar.... os tornam excelentes professores que, por suposto, sendo excelentes professores ajudam mais estudantes do ensino básico. Sabe aquilo de que o mundo é redondo? Então, é a cadeia alimentar. Ciclo vicioso.
Mas estamos preocupados demais em estudar as tecnologias, e não que elas não sejam importantes. Claro que são. Olha a gente aqui tendo esta conversa... O que nos falta é só (eu disse só?) investir na educação. O que não é muito difícil, ou é?

sábado, 2 de março de 2013

Nudez emocional



Acho que Girls, série de Lena Dunhan, está causando toda essa inquietação e tantos comentários por ser uma série real e tão crua sobre a vida de garotas de vinte e poucos anos. Sempre que assisto Girls, ganho um nó na garganta ou um calor no coração por me reconhecer em uma das quatro personagens principais. Acho que esse é o grande trunfo de Girls - e que vai, para as garotas, além de onde Sex and The City conseguiu chegar - a capacidade de fazer com que as garotas verdadeiras, de carne e osso, se identifiquem em algum momento com alguma situação vivida pela personagens.

Em uma primeira impressão, Girls pode parecer crua e agressiva demais, principalmente quando o assunto é nudez. Mas a série tem uma carga emocional tão grande, que a nudez que chocou há momentos atrás é rapidamente esquecida. Girls, certamente, não é uma série para quem quer esquecer dos problemas da vida ou para quem quer ter a sensação de viver outra realidade através da televisão. Girls está aí para colocar o dedo na ferida, para lembrar que sim, vez ou outra nos metemos em relacionamentos estranhos e que nos deixam confusas, ou que as pessoas que amamos podem ser irritantes ao ponto de nos fazer querer gritar até que eles entendam o que queremos dizer. Acho que Girls desglamouriza a juventude e a coloca como ela é. Cheia de momentos incríveis e cheia de momentos de merda também. Momentos de desgaste emocional e de total incerteza sobre um futuro prospero, em qualquer sentido que seja. Girls para mim, soa como o grito dos jovens que cansaram de ouvir que são o futuro da sociedade, o futuro do mundo. Não, estamos aqui, cheios de problemas também, e achar que somos o futuro ou a luz de uma geração é colocar mais peso, que por sinal, não precisamos, nas nossas costas.

E aí, que o que Allison Williams disse, faz todo o sentido para mim: para muitos, a facilidade com que lidamos com a nudez hoje é um grande fator de choque. Para mim, a nudez física não é nada comparada a nudez emocional, que vez ou outra, somos obrigados a encarar e fixar o olhar, por mais que doa. A nudez emocional, por mais difícil que possa ser de encarar em um primeiro momento, é o que nos habilita e nos fortalece para que, talvez, consigamos entender tudo isso que envolve ser jovem e ter zilhões de expectativas em cima de você significa.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Silas Malafaia de frente com Gabi







Honestamente acabei sem entender o porquê de tanto burburinho em volta desse bate-boca da Marília Gabriela com do Silas Malafaia, daí fui procurar o vídeo da entrevista. O que vi e, principalmente, ouvi, foi uma enorme gritaria que no fim das contas só serviu pra ratificar o que os mais ajuizados já sabiam: o que o Silas Malafaia diz não se escreve, nem deve ser levado em consideração, para mim, exclusivamente pela imensa falta de respeito dele para com o próximo, e que a Gabi, bem como todo jornalista, embora pregue, não consegue fazer uso da imparcialidade e, ao invés de conduzir o colóquio de forma que o convidado pudesse expor suas ideias estapafúrdias, acabou se exaltando também tornando o desrespeito uma via de mão dupla.

Discordar é preciso, por isso acredito que ninguém tem a obrigação e aceitar ou de concordar com a opinião alheia, pelo contrario, até porque é justamente isso que torna a convivência entre os seres humanos interessante.

Não imagino que tipo de coisa que saia da boca desse cidadão influencie na vida de qualquer ser vivente com o mínimo de discernimento que seja, ele só grita, mas não vejo problema algum no fato dele defender o que acredita. Penso também que a entrevista podia ter sido levada de maneira menos agressiva, digamos, ao menos por parte da apresentadora. Porém, há quem, com todo o direito, pense diferente. Esperemos o segundo semestre, pois.



P.S.: Esse comentário, postado na rede por uma das mentes mais brilhantes que tenho o prazer de conhecer, exprime bem o sentido da coisa:
“Eu acredito que o fato de uma religião não abençoar uma união não impeça ela de existir, a união estável entre homossexuais já é uma realidade no Brasil, e eu acredito que hipocrisia é alguém querer a benção de uma fé com a qual não se concorda; Outra coisa que acredito é que da mesma forma que eu posso respeitar o que eu discordo eu posso me expressar e desejar ser respeitado por isso; Acredito tb que a religião tem o direito (e pq não o dever) de se posicionar em relação ao que acredita, porém o estado laico tem o direito (e pq não o dever) de não dar a mínima para o que a religião aprova ou não; Acredito ainda que quase todas as minorias sofrem preconceito e que isso não é nada legal, mas infelizmente não podemos reescrever a nossa constituição para adequar a cada minoria então a lei do respeito a todos seria legal a se ter como máxima, afinal o hétero realmente não sofre preconceito por ser hétero, mas sofre por ser um hétero pobre, ou por ser uma hétero negro, ou por ser um hétero com tatuagem ou por não ter dente, enfim nenhuma dessas práticas são mais condenáveis do que outras; No ramo do que eu acredito, ainda, está que Marília Gabriela é uma fantástica entrevistadora, mas nesta ela foi muito infeliz, que o papel dela seria facilitar a explanação de temas por parte do convidado, o que geralmente ela faz divinamente, e não querer debater com o entrevistado afinal, acredito que ela o convidou para q ele explicasse a sua maneira de pensar e não para concordar ou discordar dele e por último eu acredito que o que eu acredito não faz nenhuma diferença para nenhum de vocês, até pq vcs têm o direito (e pq não o dever) de não concordarem com nada do q eu escrevi, mas ainda assim eu me sinto no direito de dizer, e isso é o que eu acho legal em uma democracia.” – Rony Joab

É isso.