Parece que aqui, na Espanha, ou no Sri-Lanka* as pessoas estão sempre à procura de um par, de um companheiro(a), da metade da laranja, da tampa da panela, do pé que calça o sapato velho.
Com esse mundo tão conectado, de tantas possíveis interações, ainda há quem se sinta só? Óbvio que sim. Algumas coisas não são conformadas com o uso de apenas alguns sentidos. É preciso o toque, o tato. Além disso, a convivência, o partilhar, dialogar, dividir e, por que não, o debater, discutir e junto a tudo isso, crescer.
Se considerarmos as possibilidades apenas pela tradicional, conservadora, bíblica e cristalizada divisão sexista, lamento informar, a coisa tá difícil. Há mulheres demais e as justificativas vão desde a perspectiva biológica ao potencial bélico de cada lugar.
Isso significa que se ampliarmos o campo de busca para a totalidade, procurando ‘pessoas’, simplesmente, ao invés de homens e mulheres e ao invés de buscarmos príncipes em seus cavalos e princesas em seus castelos o problema estará resolvido? Sinto decepcionar de novo, mas creio que também não. A busca não é aleatória e requer um perfil mínimo. Você quer uma pessoa legal, inteligente, interessante, que trabalhe (ou pelo menos que tenha disposição para), que queira construir junto, seja bem humorado, compreensivo, delicado, etc., etc., etc. E claro, se ainda sobrar espaço pra ser lindo de viver, tá valendo.
Pronto. Fechou o cerco novamente. De qual andar devo me jogar?
Na verdade, esse negócio de amor, relacionamento, namoro, casamento e afins, coloca qualquer Las Vegas no bolso. É aposta pura. É tentativa. É dar a cara à tapa. Se jogar mesmo e ver no que dá. Só a experimentação pode confirmar ou reprovar. Não há certificado de garantia, mas tem devolução, viu? O aparentemente perfeito, sacramentado em juras de eternidade também pode acabar. E diagnosticar que é hora de acabar mesmo, é tão importante quanto perceber que é hora de juntar. Não creio em nenhum Deus que queira a infelicidade de alguém que jurou amor eterno em algum ritual. Penso que o ‘eterno’ de Deus também é só enquanto dura.
E depois? Procurar de novo, oras! Ou não. Há, acredito, quem se baste. Só não admito isso como discurso vazio, arrogante, prepotente. Não há porque ter vergonha de não querer ser só e desejar sim, um parzinho de pés pra esquentar os seus. É recolher as fichas que tem e rumar ao jogo.
E pra você? “É impossível ser feliz sozinho”?
* Eu também não sei explicar o uso do Sri-Lanka toda vez que quero citar um outro lugar além dos que estão em pauta. Obrigada.