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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Macacada esperta





Nunca quis criar macaco em casa, já tive exemplos na família de que isso pode ser bastante arriscado, os macacos possuem uma imaginação muito fértil, são cheios de sentimentos intensos e não são tarados apenas por bananas.

Mas quando visito algum zoológico, ou encontro alguns macaquinhos pelos parques, gasto sempre meu tempo observando os trejeitos deles, que de tão parecidos, tenho quase certeza de que copiei alguns na infância e agora vou ter que carregá-los a vida inteira.

E agora, sinceramente, eu gostaria que mais gente se contagiasse com esse macaco aí da reportagem, principalmente aquele tipo de gente que lê revista tendenciosa, aquela gente que julga algumas pessoas e até mesmo o pobre do macaco como inferior a elas, as primeiras pela opção sexual e o segundo por ser apenas um mero comedor de bananas e coçador de cabeça.

Até porque o macaco, em toda sua esperteza, descobriu bem antes de muita gente intelectualizada e entendedora de todas as verdades do mundo, de que as cabras também amam, tratou logo de chamar uma pra dar uma voltinha e com expectativas de relacionamento sério.

sábado, 27 de outubro de 2012

Questão de ponto de vista.


Um belo dia você vai no barzinho e te mostram um cara oriental, vestido de playboy, cantando e dançando uma musiquinha que você nem imagina o que seja a letra. Chega em casa, você acessa o Youtube e vê que o vídeo tem mais de 531984265 visualizações (peguei esse número agora lá na fonte), e o upload foi feito há 3 meses.

Um sucesso!

O acesso pela internet fez com que várias pessoas vissem o vídeo. 
E o que acontece quando um viral desses toma conta da world wide web?

Bom, um Latino vai lá e compra os direitos da música e destrói na versão brasileira.

Um metaleiro vai criticar a versão do Latino, que compra a briga.

O menino de 4 anos vai mostrar suas habilidades e vai dançar na cozinha a coreografia mostrando para a minha mãe como é legal o "oppa gangnam style".

Eu (fatos reais), ensino para o grupo de dança Quasar, sem um pingo de vergonha nessa minha cara, a coreografia do "eeee sexy ladies!" (muitos deles têm mestrado em dança e me acharam uma babaca, mas me acompanharam, na gentileza)

Muita gente critica a música, acha o cara e o vídeo imbecis.

Muita gente se diverte fingindo galopar e dando risadas aleatórias sem nem saber o que está cantando.

Para uns o vídeo diverte, para outros o vídeo é uma palhaçada que virou moda.

Na verdade o próprio Psy, o cantorzinho animado, disse que a música é uma sátira  ao estilo de vida luxuoso de Gangnam, uma região nobre do Seul.

Já o artista plástico Ai Weiwei, que também é ativista na China, utilizou da coreografia (mãos juntas) para usar algemas e fez da dança um protesto. O protesto é coisa séria: se dá contra a perseguição política e a censura que ocorrem por lá.

Sabem porquê ele é perseguido? Porque em suas obras e nas redes sociais ele se manifesta a favor de um Estado de direito na China. Ele já foi preso e agora é condenado a pagar uma fortuna em impostos que, segundo o governo, é devido e legítimo. Mas Weiwei alega que é apenas uma medida para intimidar que ele continue a criticar o governo.

Eu acho o Psy e o Gangnam Style legal. Não só eu, mas pelo visto o Secretário-geral da ONU também (Clique aqui e o veja arriscando uns passinhos!)

Gangnam Style tem várias facetas - cabe a cada um, que recebe a informação, fazer uso de uma interpretação. Questão de ponto de vista!





terça-feira, 23 de outubro de 2012

A pílula da padronização



Eu demorei 1 ano e 7 meses para andar.
Sim, 365 somados com mais ou menos 210 dias para andar.
Mas andei, feliz. Meio sonsa, mas feliz.

Eu não entregava as tarefas nas datas previamente designadas pela professora. Nem levava a tesoura no dia de aulas de artes. E vestia o biquíni e o roupão no dia errado, em que eu achava que era dia de piscina. Mas aprendi a ler, a escrever, a somar, dividir, diminuir, multiplicar e tudo que deveria aprender. E me formei no ensino básico.

Eu fui uma adolescente um pouco rebelde, de unhas pretas, cabelo às vezes colorido, ouvia o bom e velho rock'n'roll em alto e bom som. Como toda adolescente. Na medida que meus hormônios foram se acalmando, fiquei mais alternativa. E me formei no ensino fundamental e no ensino médio, ainda que continuasse a entregar tarefas e trabalhos atrasados... e a tagarelar bastante nas aulas.

Nunca me dei bem com esportes, mas tirei o primeiro lugar em concursos de desenho, poesia, de música.

Eu não sabia bem o que fazer profissionalmente, cursei Direito e saí do curso meio sem saber como lidar com a vida adulta e com o diploma que eu tinha em mãos. Tive época de insônia e ansiedade.

Você acha algo anormal nisso tudo?

Demorei, mas andei. Reprovei, mas formei. E daí?

Daí que um belo dia eu acreditei que eu tinha um transtorno! Mas hoje não acredito nisso mais.

Transtornos, como o TDAH, acredito que são meras invenções para se adequarem crianças diferentes a um padrão; pessoas diferentes a um padrão. Estamos longe de saber lidar com a diferença! 

É mais fácil enfiar uma pílula pequena e branca boca abaixo do que mudar o ambiente de alguém que é, simplesmente, diferente. O sistema criou um padrão, a escola criou um padrão. Tudo é padronizado. Adaptar custa caro! Então vamos criar uma medicação para adequar os humanos: não o ambiente!

Um baixo rendimento escolar poderia ser resolvido com adaptações. Mas vamos adaptar o humano, quimicamente.

E assim o uso do medicamento vai crescendo, aumentando, em busca de uma padronização de pessoas. Porque o diferente, neste mundo absurdo, não é normal.

Reflitam!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ortotanásia ou Eutanásia

Manchete de Ontem: Paciente pode escolher

O Conselho Federal de Medicina CRM por meio da resolução 1.995/2012 publicou nesta sexta, que pacientes sem possibilidade de recuperação podem optar por ter, ou não ter, tratamento. Denominado Atestado Vital.

O que isso significa?

Que finalmente o paciente vai decidir o que ele quer pra vida dele ou pra morte dele!
Assim como decide em comer frango ou carne, pegar ônibus ou metrô, vestir blusa azul ou vermelha, agora ele decide como quer morrer.

Nos EUA isso acontece há mais de 100 anos, a gente vê no Dr. House.

A ortotanásia é a escolha do paciente pela morte natural, sem interferência de parelhos e medicações.
Desfibrilador, respirador artificial, quimioterapia...
O paciente lúcido assina um documento feito pelo médico sem nenhuma testemunha, e atesta que não quer mais receber tratamento por estar em caso terminal.

Agora isso aí eu não entendo, caso terminal?
Sem possibilidade de recuperação?
O que é uma doença sem possibilidade de recuperação? 
Quem definiu que não existe recuperação? 
Olha o tamanho da brecha dessa decisão!

O médico diz pra você que você está em caso terminal, você assina um papel dizendo que quer passar os últimos dias em casa com a família e o médico pode ir feliz pra casa sabendo que não vai levar um processo nas costas uma vez que o paciente consentiu com a falta de tratamento. Como se o paciente fosse graduado para concordar ou discordar com as decisões médicas. Como se o paciente mesmo lúcido estivesse em condições psicológicas de tomar uma decisão dessas...

Pra mim é sim um tipo de eutanásia. Ou seja, ILEGAL!
Não consigo imaginar, como um conselho médico pode criar leis que vão contra a constituição.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais uma daquelas discussões sobre a superexposição nas redes sociais



Tá, que parte considerável dos usuários, sobre tudo das redes sociais, não têm a menor noção de cautela e semancol na hora de se expor é fato, e creio que bom senso é algo ainda raro nesse meio virtual, mas penso que isso é um ciclo vicioso: eu posto uma asneira, tu comentas outra e lá se vão horas e horas. O que só prova o despreparo de algumas pessoas que acabam por fazer de ferramentas úteis e importantes um verdadeiro circo, infelizmente.

Concordo plenamente quando Keen diz que “precisamos conquistar um espaço na web onde possamos nos proteger da multidão e desenvolver nossas próprias ideias. É preciso praticar mais a autocensura e limitar o número de publicações pessoais nas redes” e tudo mais, porém, já dizia um crente aqui da rua, "a salvação é individual", ainda acho cabe a cada um medir a relevância e as consequências do que se joga na rede, e, principalmente, do que se absorve dela. 

Sendo assim, acredito que o indivíduo é quem deve preservar pela sua autonomia nesse caso, já que é ele quem detém o comando, ou deveria deter. A internet é um ambiente de ideias e ideais livres e, por mais que isso nos incomode, é assim que deve continuar a ser. E é o que eu penso.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ficar sozinho é bacana.


O dia dos namorados está chegando e tudo gira em torno de "opções para jantares românticos" ou "opções para quem está solteiro". A Veja, por exemplo, está sugerindo locais para os solteiros saírem para badalar "e, quem sabe, sair acompanhado." Mas solteiros, não se desesperem para arranjar alguém! Existem questões mais importantes para serem refletidas!

Anteontem, se não me engano, eu postei um texto meu mesmo no meu perfil do Facebook e deu o que falar! Recebi muitas mensagens de inbox, desde amigas emocionadas até mesmo amigas dizendo que eu estava era com dor de cotovelo por não estar namorando nessa data... Recebi alguns xavecos também, de um bando de caras que acharam que eu estava era carente. Enfim, eu escrevi porque queria desabafar mesmo.

Resolvi postar aqui novamente porque já está pronto quase perdi o dia de postagem pensando que hoje era sexta... não me culpem! Culpem esse feriado gostoso que está chegando... como eu dizia, porque gostei do feedback que tive!

Então, lá vai o recado pra vocês!

Solteiros (as);

está chegando o dia dos namorados e eu vejo muita gente por aí querendo um namorado só para não passar o dia sozinho(a), ou aguentando o seu namorado(a) até essa data "comemorativa" para não ficar só.
Muita gente anda por aí de mãos dadas porque seu compromisso é com a sua carência e não propriamente com quem se dá as mãos...

Olha, depois de alguns relacionamentos eu aprendi uma coisa tão bacana, que eu acho que todo mundo deveria aprender: ficar só é legal!

É bom ter uma pessoa ao seu lado, é sim. Mas só vale a pena quando essa pessoa faz diferença na sua vida. Só é bom quando essa pessoa te entende ou, pelo menos, tenta! Quando ela não só te ajuda a mudar seu jeito como também se ajuda para mudar o dela mesmo. Quando ela está ali do seu lado e faz de tudo para ser o mais presente possível. Quando ela te chama para sair, viajar, seja o que for, não por obrigação, nem por qualquer outro motivo, mas simplesmente porque gosta da sua companhia.

Só é bom quando você se doa e quando o outro nota isso, valoriza isso. Só é bom quando o respeito persiste, assim como o amor, e não só nos momentos fáceis mas, e sobretudo, nos momentos complicados, difíceis.

Certa vez li "Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais precisarei". E, se qualquer um não é capaz de entender isso, nem de praticar, já li também "Antes só do que mal acompanhado".

Aí entra o "estar só". Ficar sozinho é muito bom. Sair quando quiser com os amigos, aproveitar o máximo da vida, ver o mundo sem amarras... E, principalmente, gastar todo o tempo de sobra que você tiver para SE conhecer, SE curtir, SE cuidar.

Ahhh é tão bom se conhecer e, mais ainda, se gostar. Se fazer companhia!

Acho que a vida de uma pessoa pode mudar em dois momentos ímpares:
- Quando ela descobre que pode viver tranquilamente sozinha sem a pessoa com quem estava.
- Quando ela descobre que a melhor companhia que pode ter é a dela mesma.

E aí sim, depois desses dois momentos de descoberta, acredito eu que o ser humano está apto e capaz de viver um relacionamento maduro, feliz e duradouro.

Ou simplesmente ser feliz, só.

-

Quem estiver sem ter o que fazer no dia dos namorados aqui em Goiânia, me mande email chamando para fazer algo legal, porque também estarei sozinha: helenrcrodrigues@hotmail.com :) E sem más intenções por favor! 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Fala, fala o tempo todo, mas não tem nada a dizer.

Manchete de Ontem:
Envolvido em chacina em Doverlândia sofre queda de helicóptero
Suspeito de degolar 7 morre em queda de helicóptero

Quer me irritar? Comece a falar coisas sem nexo.

Ontem eu estava acompanhando as notícias sobre a queda do helicóptero em Piranhas (GO), aquele da polícia que estava investigando a chacina que ocorreu na fazenda em Doverlândia (GO) - em que um único homem declarou ter matado sete pessoas. Detalhe: ele as esfaqueou. E degolou. Além de pensar na barbaridade do crime, eu fico cá com meus botões pensando em como ele é pretensioso em querer que acreditem que ele, sozinho, deu conta de fazer todo esse trabalho sangrento, como se as vítimas esperassem calmamente em fila a sua vez de ser morta. Enfim.

Nas redes socias só se comentava sobre a queda do helicóptero. A maioria do pessoal dizendo "perdemos ótimos profissionais". Eu não os conhecia, por isso não posso dizer se são ótimos, mas foram bons para passar no concurso, então a esperança é que sejam realmente bons e honestos. Mas não me agrada muito o costume de endeusar as pessoas que morrem sem que as conhecessem. Eles morreram, trágico. Talvez se eu os conhecesse, também sentiria mais do que já sinto, e talvez pudesse dizer o quão bons realmente eram, mas eu não os conhecia. Eu achava que o Demóstenes era legal, honesto e olha no que deu.

Não me levem a mal, não estou dizendo que sou insensível quanto as mortes, porém acho desrespeitoso que a galera que nem conheça direito as pessoas que morrem, comecem a ficar falando coisas sem fundamentá-las. Quer me irritar? Tenha uma opinião e a preguiça, ou a impossibilidade, de fundamentá-la. "É porque é" não cola.

Além do mais, me irritei ao ler que se não fosse por causa do tal Aparecido (o "principal suspeito"), todo o pessoal que faleceu ainda estaria vivo. Olha, eu não sou a mãe Diná e não posso prever. E acho pouco provável que alguém tenha esse poder sobrenatural de vidência, então não posso dizer com convicção que eles ainda estariam vivos, mesmo porque a gente cresce ouvindo a máxima do "quando é o dia, não tem jeito, morre mesmo". Ao invés de todo esse burburilho nas redes, eu fico preocupada é com o andamento do caso. Sim, fico em luto pelas mortes que ocorreram, só que me preocupa a continuidade das investigações.

Obviamente, não foi esse cara sozinho que degolou todo mundo. E o meu medo é que, agora, com essa nova tragédia, se perca o fio da meada que conduziria à solução desse crime bárbaro. Foi um crime chocante, a polícia deve investigar e mais, tem a obrigação de descobrir a real motivação que levou nesse episódio sangrento revoltante. Não foi um simples assassinato, gente. Equivaleu ao "Matteucci". 

Com o falecimento do "principal suspeito", tenho medo de quem esteja por trás ria das consequências do destino que fez calar eternamente quem muito sabia e, espero eu, arder no mármore do inferno. A polícia tem que investigar.

Quanto ao helicóptero, até então, como vemos, pareceu ser uma fatalidade (mas e se não foi?). Eu quero a punição dos culpados. Mas punição efetiva para inibir a sociedade desse comportamento.

Resumindo, existem questões bem importantes que vão sendo esquecidas pelo sensacionalismo que acaba tomando conta da galera que adora falar só por falar.

Quer me irritar? É só começar a dar importância ao grosso. E esquecer do refinado.

sábado, 27 de agosto de 2011

Economia do trabalho, sodomia do trabalhador

Stress no trabalho é risco crescente para a saúde pública

Esta noticia traz alguns dados interessantes a respeito do stress que o trabalho pode gerar. Infelizmente, eles não definem muito bem os dados estatísticos e não dizem com quantas pessoas foi feita a entrevista. Mas acho que a idéia ta valendo.

Antes de qualquer coisa, vamos pensar o que é o trabalho em nossa vidas. Será que ele apenas toma um papel de ocupação, ou forma de ganhar dinheiro? Não creio nisso, pois gastamos quase metade de nosso dia (contando transportes e tudo mais) com ele. Há quem diga que qualquer coisa que fazemos, apenas nós é que inflamos de sentido. E, de fato, o sentido do trabalho é uma questão muito mais de identidade do que qualquer outra coisa.

Por exemplo: quando recém conhecemos alguém, e vamos nos apresentar, qual é a primeira coisa que dissemos?
-Ola, meu nome é João da Silva, sou jardineiro.

O trabalho, o ofício, estabelece uma relação de identidade e do papel que ocupamos na sociedade. Por que será que tanta gente procura profissão, e especialização para os trabalhos que dão mais dinheiro? Claro, tem pessoas realmente interessadas. Mas tenho certeza que outras tantas, não é pelo amor. Eles permitem duas coisas: status e poder aquisitivo. A questão do trábalho é muito mais complexa do que se possa imaginar.

Sendo a preguiça um pecado capital (o que me parece um sintoma das nosas neuroses), contra moral e bons constumes, devemos trabalhar o máximo possível. Nem tanto por nós, mas pelo outro. Quem nunca se sentiu culpado ao não trabalhar em algum dia, mesmo se doente? E as pessaos que se aposentam, conseguem mesmo parar? E o tédio que surge? Angustia...

Durante a revolução industrial, as pessoas trabalhavam mais que 12h. Não tinham muito tempo dispovível. Agora já estamos em 8h, e não sabemos o que fazer com nosso tempo.

Somos sempre cobrados cada vez mais, e a culpa se aflora a cada suspiro de descanso. E para terminar, uma breve observação... Vocês perceberam qual foi a real preocupação da pesquisa anunciada na reportagem? Reduzir o stress do trabalho pode ajudar a diminuir os gastos com saúde, e potencializar o trabalho. Uma economia porca!

quinta-feira, 24 de março de 2011

O sujeito tem que reagir?


Eu sei, a vida é injusta, o mundo é cruel, nós vivemos presos enquanto os bandidos estão soltos, blá blá blá...

“A criminalidade toma conta da cidade”, já diria nosso antigo conhecido, Gabriel o Pensador, e agora, o que fazer? Devíamos cobrar as autoridades, não é mesmo?  Mas é complicado...

Dia desses, um conhecido viu dois caras carregando móveis a 1:00 da manhã, aí  resolveu cumprir seu papel de cidadão e ligou pra polícia:

A:- Dois indivíduos estão carregando móveis na rua, acho que roubaram uma casa.
Sr. Polícia: - Mas o senhor tem certeza de que não é mudança?
A: - Olha, eu não sei, mas acho que não.
Sr. Polícia: - É que os ladrões não costumam roubar a essa hora, o senhor poderia averiguar?
A: - tu, tu, tu...

O cidadão que precisa averiguar, afinal, ronda policial é só nome de programa de televisão.  Mas enfim, não é porque a polícia está com preguiça que o cidadão precisa perder o bom senso. O meu conhecido não seguiu a instrução do policial, e não foi verificar se era mudança ou furto, acho que foi a atitude mais adequada; melhor que isso seria anotar o nome do policial e fazer uma reclamação junto à secretaria de segurança pública, algo assim. De qualquer forma, não era ele quem estava sendo furtado, por isso foi mais fácil simplesmente deixar para lá.

O fato é que muitas pessoas são influenciadas pelos filmes, ou muito apegadas aos bens materiais, e tem essa mania de reagir a assaltos. Não sei se mania é a palavra correta, visto que muita gente tem a chance de reagir apenas uma vez, perdendo a vida, e também os bens materiais que planejava proteger. Tenho um tio de 65 anos que reagiu a um assalto, sobreviveu e não perdeu a sua Kombi, mas desde quando uma Kombi vale o risco? E  minha mãe perdeu uma prima, jovem, linda, jornalista, que reagiu a um assalto, no Rio de Janeiro, na década de 70, por conta dessa história, desde pequena fui ensinada a deixar levarem tudo, caso algum dia eu venha a passar por uma situação parecida.

É triste, é chato, a gente passa a vida trabalhando e blábláblá. Mas se você passa a vida juntando coisas e não vivendo, alguma coisa está errada com você. Talvez eu reagiria, se o assaltante quisesse levar uma amiga minha, isso sim é um bem precioso, que eu pretendo levar pela vida toda. Mas meu carro e meu notebook (acho que são as únicas coisas materiais que posso chamar de minhas) podem levar. As coisas não são mais importantes que todo o resto, e se você acha que são, você deveria ligar pro SAC da vida e perguntar se é possível levar alguma coisa quando se morre, porque se não for, é melhor você parar de investir em coisas e passar a investir em uma fonte da vida eterna, não?

Enfim, eu tive um professor de geografia que costumava dizer às pessoas inertes: “O sujeito tem que reagir! Reage, sujeito! Reage!”, mas eu gostaria de contrapô-lo, e dizer que, em caso de assalto, o sujeito não tem que reagir e não deve reagir.